...Coletânea...


06/04/2009


ESSA VIDA BESTA, SÔ...

 

Sei lá, mas tenho achado a nossa vida meio besta. Eu não digo a minha, a sua ou a de qualquer outro ser humano em especial, muito menos a vida de uma pessoal, hum... mais especial, sei lá porquê. Estou falando mesmo da vida humana, em geral, absolutamente generalizante.

 É que fiquei pensando em quanta gente há no mundo... Que vivemos uns 80 anos, apenas, e que, em duas gerações somos completamente esquecidos para nunca mais sermos lembrados e que, enquanto vivemos, ficamos nessa de crescer, se reproduzir, trabalhar, trabalhar, trabalhar, talvez ir a alguns churrascos e pronto. Fiquei pensando em como simplesmente acordamos de madrugada, pegamos aquele metrô lotado pela manhã, fazemos um trabalho que às vezes não tem mesmo nenhum sentido, depois vamos para casa, assistir à TV e dormir apenas para começar de novo.

 E então... É só isso? Essa vida besta? Então que diferença faz um ou outro genocídio, afinal? É tão “eee-oe vida de gado, povo marcado, povo feliz”...

 Fiquei pensando que passamos anos numa escola que fica ensinando trigonometria, nos preparando... Efetivamente para quê? Para batermos ponto? E que nossos pais simplesmente nos preparam para “termos independência” e nos cuidarmos sozinhos... Para quê? Para comprarmos, vendermos e necessitarmos trabalhar para pagar nossa comida.

 E isso nem tem relação com o nível social, não... Estive pensando em quantas pessoas são pagas para ler documentos. Outras para escrever decretos legislativo, outras para decidir se o que outras fizeram estava certo ou errado... E o quanto essas ações, por mais que influenciem uma comunidade (e eu questiono se influenciam mesmo), não são, para quem as fazem, tão destituídas de sentido de finalidade quanto apertar um parafuso no filme Tempos Modernos.

 A nossa vida é muito estranha... Há pessoas cuja única função é levar outras para outros lugares. Elas apenas fazem isso, durante 8 horas de um dia de 24 horas... É um trabalho muito útil, é verdade, mas que, se pararmos para pensar, é destituído de sentido real para que o faz. Outras pessoas são apenas preparadas para falar em nome de outras pessoas, defendendo as causas dessas pessoas, perante um terceiro que não tem nada a ver com isso. É um bom trabalho para alguns, dá muito dinheiro e prosperidade, mas... Mais uma vez, sem sentido!

 Por que as pessoas simplesmente não vão para seus trabalhos?

Por que elas não dizem para o juiz o que é certo ou errado?

Por que esse juiz tem apenas a função de dizer o que é certo e errado? Por que ele não pode fazer outras coisas?

 O que eu quero dizer com isso é: cadê a criatividade? Cadê o trabalho que, sim, pode dar dor de cabeça, mas é satisfatório, é o local onde o ser humano desenvolve suas potencialidades e mostra-se à sociedade e a ele mesmo como ser autônomo? Não existe... Ou existe em uma escala muito pequena que apenas confirma sua não existência.

 Para quê o trabalho? Para quê toda essa complexidade de sistemas, coisas? O mundo é muito complexo, complexo demais, precisa de engrenagens demais para, na realidade, não funcionar direito. Sim, por que quem efetivamente tem se beneficiado desse sistema? O capitalismo? Os homens ricos? Podem realmente ter dinheiro, mas realmente se beneficiaram do sistema? Em quantas gerações serão esquecidos? Quanto de prazer e de desenvolvimento de potencialidades conseguiram realizar?

 Eu não sei...

 Só sei que tenho achado essa vida muito besta.

 Besta demais.

 E o ser humano nada mais do que um animal. Um animal tão racional quanto qualquer outro animal, só que com mania de complexidade que faz com que tudo fique exatamente do jeito que foi: uma vida besta, que não leva a nada, é só sofrimento e depois esquecimento, nem nada.

 

Escrito por Sulamita Saad às 22h13
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30/03/2009


RESUMO OBJETIVO

Ano Novo Astrológico

CCBB – São Paulo

Museu do Teatro Municipal de São Paulo

Banho de Chuva

Avenida Paulista – Bar Prainha

Avenida Augusta – Pizzaria Vitrine

Metrô, Trem, Ônibus, Solitária na Rodoviária, Andanças noturnas, Contato com posto policial, Táxi e Abandono na madrugada

Sono... zzzzzz....

Ônibus, Metrô, Táxi

Restaurante Drake´s Bar

Táxi

Los Hermanos, Kraftwerk, Radiohead

Andanças pela madrugada, bolhas nos pés, táxis lotados

Sessão “bestando” na praça

Avenida Paulista - Bar na madrugada

Hotel Ibbis

Caminhadas pelo centro

Esperas longas e senhora do destino

Médicos

Atestado Médico

De molho no relógio

Ônibus, metrô, ônibus, avião

Sono... zzzzzz

Casa, comida, roupa lavada, casa

Visita à emergência médica

Nova visita à emergência médica

Atestado médico

Cama

Livros policiais, Maigret, mais livros, Capote, mais livros...

Propostas não sucedidas

Filmes

E agora José?

Escrito por Sulamita Saad às 20h52
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14/03/2009


DAQUELAS DORES DE QUE NÃO SE SABEM DE ONDE SÃO

Hoje foi mais um daqueles dias estranhos... Eu estou com aquela coisa dentro do peito, aquela vontade de chorar, de gritar, de sair numa briga de mulher, com direito a cara arranhada e cabelo puxado. Na realidade, o dia de hoje está mais ou menos sendo a continuação do dia de ontem, parece que não terminou, que não houve pausa. Acho que preciso hoje de um colo, de uma almofada para deitar a cabeça. Preciso urgentemente de um final de semana e ainda é terça-feira! Meu deus, eu já trabalhei com tortura policial, com questões de sigilo máximo, já vi tentativas de suicídio na minha frente (sim, tentativas, no plural), já enfrentei sala com quarenta alunos, quarenta mundos, quarenta pessoas desafiando, já lidei com Burdelines e, acho, nunca me senti como tenho me sentido ultimamente... Será que isso não é trabalho para mim? Mas se não é, o que seria então?

Hoje estou naquele dia com saudade do que poderia ter sido... Eu poderia ter sido apenas uma anfitriã, eu poderia ter sido apenas uma funcionária pública, poderia simplesmente ter um trabalho que me pagasse bem e que eu não precisasse passar pelo que estou sentindo agora. Mas será que isso é realidade? Existe isso mesmo?

Bem, eu mesma hoje desisti de jantar, até agora, minha última refeição foi meio-dia e olha que eu só comi metade do que eu costumo comer. Já estava sem fome, me sentindo cheia. Passei a tarde a água e café e nem senti sem fome e agora a noite só comi pedaços de grãos de granola... Passei parte desta noite assistindo à série de comédias, à esquadrão da moda. Li o jornal de hoje, assisti ao telejornal da noite e agora estou aqui. Mas nada me aliviou a sensação. Nem a vontade de trocar de roupa, de tomar banho... Parece que se eu fizer isso, a mente não vai aliviar... Mas se eu não fizer, por acaso vai?

Da outra vez que senti algo assim, ioga e ginástica foram um bom remédio. Não solucionaram a questão, mas me aliviaram, ajudaram. Só o tempo passa as coisas, ou não... Fica aquela cicatriz... Pode ficar, pelo menos. Agora, perdi ontem a ginástica; perdi hoje a ioga e me sobraram a TV, os jornais, os livros, e aqui, agora... Estranho...

O que aconteceu? Nem eu ainda sei direito... Só sei que estou mal. Como começou, não faço a menor idéia e me questiono se gostaria de saber.

Bem, vamos lá: ontem, pela tarde, recebi um e-mail com a organização de um evento que estou desenvolvendo em parceria com outra instituição. Fiz o projeto inicial, tratei de objetivos, metodologia, tema etc. Ofereci uma parceria a essa instituição, sabendo que teria de conversar e dialogar, para ajustarmos os termos. Beleza. Ontem recebi o projeto de divulgação. De parceiro, passamos a simples apoiador. A data foi alterada sem qualquer consulta, assim como os palestrantes, sendo que alguns foram inclusive retirados. Imediatamente entrei em contato com o responsável. Até que conseguimos contornar a questão. Argumentaram que fora um erro, um pequeno equívoco, que tudo era ainda uma construção... Fiquei com aquela sensação: ou estou sendo passada para trás, estão puxando o meu tapete, ou não entendo de nada e sou mesmo estúpida e burra... Nenhuma dessas opções é boa e o meu sentimento é péssimo.

Acabei a noite cansada, como se não tivesse dormido. Para piorar, acabei aceitando, com esse povo, a ir a um programa de TV. Apareci na TV num programa ao vivo. Poderia ter achado ótimo, estando muito feliz com uma possível boa divulgação, mas... A todo instante me aparecia a mensagem “que diabos estou fazendo aqui?” Para piorar, essa minha natural inapetência social ficou muito evidenciada. Eu não conhecia as pessoas. E nem tinha desejo de conhecer. E estava sozinha com elas. Estava sem carro, dependendo da carona delas. E me sentindo que ou era traída ou eu era estúpida e que estaria ali por uma espécie de concessão, benevolência, como se estivessem meio que “passando a mão na minha cabeça” e dizendo: “ah, vamos oferecer isso a ela, tadinha... tão tolinha...” Dormia, sonhava (coisa boas, é verdade) e acordava com essa coisa na minha cabeça...

Resultado: acordei cansada... Mas o pior viria hoje. Até porque eu achava que havia meio que exorcizado o dia de ontem e pensei que hoje seria um novo dia e prometeria coisas boas. De fato, pela parte da manhã foram momentos agradáveis com a minha sócia. Fomos resolver uma pendência do escritório. Para se ver como anda a minha vida: momento agradável é passar a manhã em cartório e junto a fornecedores, negociando preços de material de divulgação de nosso trabalho (pastas, cartões, envelopes)... Então, veio o pior...

Eu havia marcado hora para uma reunião às 14:30. Sabia que essa seria uma reunião delicada, de um processo de arbitragem. Mas... Em mais de cinco anos estudando e trabalhando sobre o tema, inclusive lidando com questões delicadas, que exigiram proteção policial e que envolveram emoções de família, e em mais de seis meses acompanhando direta e pessoalmente os casos, nunca havia passado por algo assim. Eu fui humilhada, pisada e sei que, no futuro, o procedimento será questionado judicialmente, inclusive com questionamento sobre minha conduta e atuação. O que eu posso fazer?

Eu sinto que tenho pautado a minha conduta da melhor forma possível. Mas... Ser questionada tão claramente foi horrível...

Hehehehe... Acho que, se fosse minha psicanalista, falaria agora: “por que essa necessidade constante de ser confirmada? De ser aceita? De ser elogiada, como um cachorrinho que faz a coisa certa?” Hehehe... Lendo agora e refletindo meio que parece isso, não é mesmo? Será que meu pai não me elogiou o suficiente quando criança? Por que esse perfeccionismo e necessidade de agradar a todos? Ninguém vai agradar a todos... Nunca... E na área que eu trabalho. Quanto melhor estiver desenvolvendo meu trabalho, provavelmente mais haverá questionamentos.

Mas eu não sou psicanalista. E provavelmente um profissional falaria coisa bem diferente disso. Só que o que eu quero disso é tirar essa sensação ruim! É não ser realmente questionada, principalmente quando eu procuro fazer um bom trabalho. Eu queria uma vida simples. Mas isso existe? Eu posso ter isso? E ainda me satisfazer e ser feliz? E eu vou sempre ter de passar por essas coisas, por essas questões e ter esse sentimento constante que hoje está por aqui? Essa sensação de insegurança? Droga... se a resposta for sim, estou assim e não tenho opção. Se a resposta for não... O que diabos estou fazendo comigo e como saiu disso?

Bem, agora a fome meio que apareceu de novo. A Viviane Araújo fala de sua história na RedeTV. A vida dela, agora, parece bem mais tranqüila do que a minha... Mas eu acho que é só porque ela tem glamour, em algum momento... Deve ser muito mais complicada que a minha, com chances mais reais de briga de mulher, heheheh... E como eu já estou meio sem sentido, é hora de parar. Será que o resto vai parar também?

Escrito por Sulamita Saad às 19h09
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10/03/2009


MAIS UM ANO NOVO...

 

E há dois posts eu falava exatamente desses rituais da vida contemporânea e não é que mais um apareceu? Afinal, o que é o carnaval senão mais um ritual de passagem? No Brasil, a passagem do período de festas, vivas e aleluias para a vida cotidiana, a vida de todo dia, para o verdadeiro ano novo. Não é isso que falamos? Que no Brasil o ano novo só começa mesmo depois do carnaval?

E essa questão é tão forte socialmente que, lembro, carnaval nem é feriado! Nem começa na sexta-feira, nem no sábado. E a segunda-feira nem é carnaval, também. Carnaval, mesmo, só na terça-feira e a quarta, apesar das cinzas, não é nada mais do que o início da Quaresma... Então, não é uma grande seqüência ritualística que nos diz que somos brasileiros ao termos carnaval a tal ponto oficial que nem comércio, nem governos, funcionam? E até o meio dia da quarta-feira de cinzas, que nós ainda queremos emendar até o final da outra semana?

Mas o melhor é que o ritual do carnaval nem significa samba. Ou alguém acha que nas “europa”, onde tudo começou, há algum traço do gingado nacional? Carnaval é exatamente isso o que o nome sugere: festa da carne! Nasceu porque na quarta-feira inicia-se o período de quarenta dias antes da Páscoa, período esse em que os cristãos deveriam jejuar ou, pelo menos, abster-se de carne. Assim, o povo da Idade Média, no dia antes de começar o jejum, fazia aquela festa, com toda a carne e vinho disponível. E, claro, aproveitavam a sua experiência anterior nos bacanais e nas festas orgiásticas pagãs (todas as religiões sempre têm uma festa assim...) para alegrar mais essa nova festa que surgia e que nos deixaria hoje tão brasileiros.

Assim, se carnaval não é samba, mas festa da diversão, liberados estão aqueles que curtem rock, hip hop, cavalgadas, passeios de jangada e uma boa fritada e passam longe dos blocos e dos desfiles das escolas para curtirem e fazerem os seus rituais. Eu sou super a favor! Tanto que passei o carnaval fora, num hotel fazenda. Perto de casa, é verdade. Mas passeando para ver cachoeira, fazendo arvorismo, descendo de tirolesa, esperando o povo andar a cavalo e comendo muito, muito mesmo.

Por isso sou bem contra esses grupos religiosos que pregam o “carnaval santo”. Nada contra a religião. Mas contra desfazer esse ritual tão nosso, que nos deixa tão com cara de gente. Acho mesmo que no carnaval as igrejas deveriam liberar seus fiéis e deixar que, depois, a partir da quarta-feira, eles possam pagar suas penitências em dia.

Agora, o problema é que a vida contemporânea aceitou apenas uma parte do ritual. A parte da diversão, lógico. A outra parte, que, aliás, justificava a primeira, todo mundo abandonou. A vida é assim mesmo: cada um tentando se dar melhor e desejando para si o melhor dos mundos. O que eu quero dizer é que na hora do oba-oba, legal, todo mundo quer carnaval. Mas essa história de depois fazer algum tipo de abstinência, de tentar se regenerar, ninguém quer.

O resultado é que, bem... Carnaval virou todo dia mesmo. Não é assim com os carnavais fora de época? E o problema do que vira cotidiano, rotina, é que deixa de ser valorizado, deixa de ter aquele gosto gostoso de período especial. Afinal, se eu posso isso todos os dias, para que vou continuar esse ritual em um dia específico?

Daí que eu também sou a favor dessa história de quaresma! Ora, os mulçumanos não têm o mês do perdão e do jejum, o ramadã? Os judeus têm também o período deles, antes da Páscoa, lembrando o período de escravidão e os quarenta anos no deserto... Os hindus também possuem fases assim... Então, que diabos esses cristãos inventam de não seguir algo do tipo? E por que desdenhar dessa história de seguir as tradições porque se busca algum tipo de abstinência nesse período? E olha que dentro das religiões cristãs ainda há muita liberalidade: não se precisa passar os quarenta dias de jejum, nem ficar sem carne. O jejum pode ser de qualquer coisa: não comer sobremesas, não assistir à televisão, inclusive, não comer carne ou não comer qualquer coisa...

Eu ainda estou pensando no que eu efetivamente vou jejuar. Pensei em chocolates e sobremesas. Mas achei tão pouco... Só que eu já não como carne... Talvez agora fosse a vez de comê-la, pensei... Seria um sacrifício, é verdade. Mas um belo sacrifício, no meu caso. ;)

 

Escrito por Sulamita Saad às 09h23
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17/02/2009


A INSUTENTÁVEL LEVEZA DO SER

 

Ontem fui a uma reunião na ordem dos advogados. Nunca havia ido. Há alguns anos, eu havia insistido no escritório de que deveríamos participar da comissão, ter um membro presente. Insisti tanto que minha sócia decidiu fazer parte e se aliar ao grupo da situação. Detalhe: depois que tivemos uma briga homérica, de lavadeiras, mesmo, com direito a grito e tudo o mais e que 50% da equipe achou que ela era louca, insana e com sérios problemas psicológicos... Os outros 50% decidiram que ela era uma injustiçada. Resultado: óbvia divisão do escritório. Duas de cada lado. Pouco tempo depois, a outra a ficar com ela também desapareceu. Para mim, um indício de que ela era mesmo louca e insana. Provavelmente, eu estou destilando veneno, e só isso.

 Pouco depois, o projeto OAB foi abandonado. Mas há algumas semanas, decidi retomá-lo por outras questões. Eu já sabia que ela fazia parte da comissão. Decidi ir porque um de meus projetos prevê a união de diversas instituições em prol da mediação e arbitragem. Um sonho insano meu. Sei lá porque fiz isso. Apresentei o projeto... Solicitei a parceria. Expliquei do que se tratava.

 Ontem foi a reunião para a apresentação desse projeto. Ela apresentaria. Eu não iria, mas fui. Afinal, vindo dela, achei que poderia esperar qualquer coisa. Dito e feito... Ela apresentou o projeto. Como se fosse dela... Como se fosse dela... Como se fosse dela... Como se fosse dela... Falei e disse, tomei a palavra e expliquei: o projeto é meu e será uma honra continuar... E por aí vai.

 Mas estou falando, falando, falando, falando, apenas para tirar essa mulher de mim, porque sinto que ela ainda está aqui. E ela pesa muito no meu peito. Eu a odeio. Como odeio poucas pessoas na minha vida. Para ser sincera, além dela odeio apenas mais umas duas outras pessoas, todas conhecidas há tanto tempo que já se perderam no tempo. Mas ela... Eu apenas odeio. E agora terei de trabalhar com ela... Sei lá porque... De qualquer forma, só quero que ela suma da minha vista, do meu esquecimento e desapareça...

 Para ajudar nisso, ontem, peguei o carro, coloquei a música no mais alto volume e gritei, gritei e gritei enquanto caminhava. Estou gritando até agora. Gritei mais uma vez. Poucas são as vezes que eu desejei isso para alguém, mas sinto realmente, aqui e agora, que quero que ela morra. Sentimento ruim? Muito, muito mal... Deveria agora fazer uso de todos os anos de ioga, de meditação, de tentativa de desapegos. Mas estou mal... Desejando que ela morra, morra, morra e saia da minha vida, do meu mundo, do planeta em que habito. Não, uma cidade não parece suficiente para nós duas...

 Estou com isso travado na minha garganta. Eu grito e não sai... É estranho. O que eu posso fazer para evitar? Fui para a ioga. Durante o período de permanência, esqueci de tudo, entre uma respiração e outra, nada mais existe. Mas voltei e ela voltou comigo. Me dediquei ao trabalho, mergulhei a cabeça em prazos, idéias e em todos os problemas que vêm me angustiando. Ela sumiu, mas permaneceu, porque esse aperto no peito continuou. Fui para a ginástica. O objetivo era ficar com 70% da minha capacidade cardiorrespiratória. Eu consegui... Mas no caminho de volta, caminhando as quadras entre a academia e minha casa, ela ocupou 100% da minha mente. Cheguei em casa e, ao deitar, fiquei imaginando uma historinha. Quando tenho insônia, imagino histórias. Conto histórias. Vejo as histórias como séries ou novelas ou filmes. Algumas nunca têm fim e eu apenas vou para outra história. Ontem, minha história, sobre o misterioso assassinato brutal de um homem no apartamento da ex-mulher enquanto ela dormia na banheira, após ela retornar de uma viagem ao Japão, chegou à conclusão que as culpadas eram a ex-mulher e sua melhora amiga, ex-namorada do defunto. Para disfarçar, a amiga injetou uma droga na outra, para que ela dormisse e desse a impressão que, na verdade, seria uma vítima do assassino misterioso que teria também pensado matá-la por envenamento... A história já tinha umas duas semanas e eu não queria que ficasse como a outra, a anterior, indefinidamente sem fim. Bem, vez por outra, a voz dela aparecia para mim...

 A outra história? Duas princesas lutavam pelo trono de seu país, enquanto o mundo tentava sobreviver a uma guerra. As duas possuíam poderes sobrenaturais, o que as capacitava a ser rainhas, mas o poder da princesa boa era tamanho e tão grande que foi percebido pela liga dos protetores universais, um grupo de superheróis que protege a galáxia, o universo e todo o restante de todo o tipo de coisas. Então, essa princesa teve de escolher entre ser uma supereroina, abandonando o seu povo para a meia-irmã ou permanecer, lutar e correr o risco de perder tudo. História sem final, porque cansei dessas moças chatas, hehehe.

 E agora... até pedi para trazerem um filme para eu assistir antes de dormir. Hora e a vez de “Onde os fracos não têm vez”, dos irmãos COHEN. Vamos ver se as cenas de tirar o fôlego têm capacidade de tirá-la de mim. Vou preparar a pipoca.

Escrito por Sulamita Saad às 20h03
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05/02/2009


MODERNIDADES E COMUNICAÇÕES

 

Estamos na era do skype, dos blogs, do orkut, do h5!, do Unik, do plurk, do myspace, do Messenger, do youtube e do e-mail. Mas, semana passada, conversando com velhos amigos percebi que as cartas não morrem.

Antes de tudo, vou explicar: esses amigos não se conhecem. Um deles, que na realidade é uma, é uma amiga da terceira série! Sim, estudamos a terceira e a quarta série do ensino fundamental (então primeiro grau) juntas, em SP, antes de eu me mudar para RO. O outro amigo veio alguns anos depois, quando eu já morava em RO. A amizade nasceu do grupo de perseverança da igreja... Pois é, o tempo passou, eu me mudei para o CE e ele para o RN, mas ainda assim acompanhamos nossa vida e sempre estivemos juntos, de alguma forma. Passamos quase juntos pela fase do sexo, drogas e rock´roll e mantivemos contato. Ele foi para a minha formatura do terceiro ano e da faculdade. Eu passeei algumas vezes na casa dele.

Então, com esses amigos a amizade à distância acompanhou bem o desenvolvimento dos meios de comunicação. Amizade por via de cartas. Havia  telefone, mas antes das privatizações o negócio era muito caro! Então, uma carta por mês, para cada um. Eu ainda fazia parte de uma corrente de cartas do mundo todo. Recebia cartas da Austrália, da Àfrica do Sul e até do Brasil! Era um bom estudo de inglês... Os amigos que eu ia fazendo pelo caminho e deixando (sim, minha sina é dizer adeus aos amigos) permaneciam por meio de cartas. Até que eles deixassem de me escrever...

Com o telefone mais barato, os mais chegados, mesmo à distância, recebiam ligações. E eu as dele. Sabe o que é passar madrugadas ao telefone? Certo dia, percebi o sol nascer e só então vi que estava há cinco horas falando! Meu amigo querido gostava de me ligar aos sábados à tarde. Conversávamos muito e eu ria tanto que cheguei a ter uma câimbra! Com minha amiga, falávamos menos ao telefone, quase uma vez por mês e em ocasiões especiais. Paralelamente, as cartas continuaram, mas mais esparsas... Apenas para contar os segredos que não poderiam ser ditos ao telefone, porque, bem... Coisas de adolescentes e de pais cuidadosos, não é mesmo?

Então, veio a época bem forte do e-mail e do orkut. Não que antes não houvesse. Lembra do MIrc e do ICQ? =) Ainda me lembro do meu UIN#... Mas eu o utilizava mais para conversar com os amigos locais, do colégio, para marcar cinema, para paquerar, para conhecer rapazes, para namorar, hehehe. Com o iogurte a coisa ficou bem mais democrática. Com o Messenger, então... Não sei bem porquê...Mas parei de escrever cartas.

Mas aí, semana passada, estava conversando com esse meu amigo. E não é que ele veio me dizer que havia guardado todas as minhas cartas e que gosta de, vez por outra, lê-las? Principalmente para ficar feliz... Perguntei se ele estava triste. Ele disse que não. Mas que ficava mais feliz ao ler as cartas e que gostaria de voltar a recebê-las... Uns três ou cinco dias depois, conversava com essa amiga. Contávamos as novidades e os problemas de trabalho (ela, uma empresária agora...). Lá pelas tantas ela disse que estava se mudando e que, ao arrumar as coisas, encontrou as minhas cartas e ficou lendo e se divertindo. Disse que enquanto lia sentia saudades de tudo e que achava muito legal receber aquelas cartas, que vinham de tão longe. Pô... de RO, né? Depois do CE... E ainda teve de BSB! Sem falar nos cartões postais dos lugares que eu visitava...

Então eu decidi voltar a escrever cartas! Meio atrasado... Meio século XIX... Ainda que seja um importante meio de comunicação nos dias de hoje. Ano passado, fazendo uma pesquisa, descobri que “onde o Estado ainda não havia chegado, havia uma agência dos correios”. Mas eu concordei com os meus amigos... Apesar de parecer mais distante do que quando conversamos instantaneamente e ainda com auxílio da webcam, ao permitir o toque e o contato e ainda a releitura, a carta tem o condão de aproximar, de fazer sorrir e chorar, mesmo que tenham se passado tanto tempo!

Decidi voltar a escrevê-las não apenas por eles. Mas por mim também. Um registro de mim, além dos bits e bites, além do diário secreto. Acho até que vou iniciar um movimento para todos escreverem cartas... Não importa para quem, para onde, porque... Apenas escrever! Papel e tinta, por favor!

Escrito por Sulamita Saad às 12h05
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20/01/2009


IPI, IPI, URRA! VIVA 2009!

Pois é... E já estamos há vinte dias em um ano novo. Promessas novas ou velhas, já até tiveram tempo de ser desfeitas. Sabe aquela história? No novo ano eu vou fazer dieta, comer melhor, fazer ginástica, relaxar mais, perder tantos quilos, parar de fumar... Pois é... Já estamos na data em que nada disso se realizou, em que já fizemos a matrícula na academia e já fomos apenas duas vezes para nunca mais; já diminuímos a quantidade de cigarro, só para voltar a fumar mais do que antes, já iniciamos a dieta só para comer chocolates até não poder mais naquela feijoada do final de semana, já voltamos a almoçar sanduíche/cachorro quente com coca-cola, sem esquecer a batata frita e, claro, já deu até tempo de termos a primeira crise nervosa na volta ao trabalho...

Enfim, é a velha vida de volta, como antes, como sempre, nos campos seguros. Assim, com a vida de sempre, temos uma certeza: estamos seguros do novo, da apreensão, da agonia, do "será que vou conseguir?", do desafio e, claro, das tristezas das desilusões. Não corremos o risco de falhar, nem de sofrer o gosto da decepção, afinal, deixamos por nós mesmos as questões, os desafios. Abandonamos com consciência as "promessas do ano novo". Ou melhor, fazemos essas promessas já sabemos que fazem parte apenas de um ritual e que nem devem ser levadas em conta.

Por falar em rituais...

Antes eu achava essa vida atual, contemporânea, com pouca significação. Para mim, não tínhamos os rituais das velhas civilizações, as passagens, os ritos, nem as significações que, por exemplo, havia na passagem da vida de criança para a adulta para os povos antigos. Claro que isso representava uma análise muito superficial da minha própria sociedade, comunidade ou grupo. Pura besteira, enfim!

Afinal, o que são justamente as festas de final de ano, senão rituais, repetidos ano a ano, da mesma forma, por vários grupos de nossa sociedade? O que não são as "promessas de ano novo" senão mais um ritual com realmente uma visão, uma perspectiva e uma profunda significação de como vemos o mundo?

Diante disso, eu até acho que todos deveriam fazer mesmo as promessas... É o ritual! Sim, devemos comemorar o natal com uma festa em família, com comida farta, preferencialmente em que cada pessoa leve um prato especial e que culmine com troca de presentes ou amigo oculto / secreto /da onça e no final ainda dar beijos e abraços mesmo naqueles com quem passamos o ano todo brigando. Devemos ainda comemorar a passagem de ano com festa entre amigos, todos de branco, fogos de artifício, pulando ondas (para quem vive no litoral), fazendo promessas para o novo ano, comendo lentilhas, romãs, uvas, peru, peixe, pernil e sei lá mais o que! Afinal, é um ritual! Tanto quanto as fogueiras de Beltane, o nascimento do deus e tudo o mais...

É... Hoje eu vejo os rituais não acabaram, não. Eles apenas mudaram, assim como mudaram ao longo dos tempos passados e entre espaços e grupos, mas continuam com a importância que tiveram antes, representando a sociedade que os desenvolve e acolhe. São os nossos costumes, a nossa cultura, o nosso folclore, agora! E sabe de uma coisa? Eu achei essa descoberta mágica! Maravilhosa! Ok, tudo bem, meio maluca, também. Ou melhor, maluca é a minha forma de vê-la... Até porque deixei um pouco de ficar triste pelos rituais do passado estarem se indo embora e se perdendo no tempo.

E para não dizer que não disse tanta besteira assim, de alguma forma esse pensamento vai ao encontro do que Martine Segalen escreveu na obra Ritos e rituais contemporâneos, editora FGV, de 2002: os ritos teriam a função de oferecer apoio coletivo frente às passagens do tempo e criar senso de identidade de indivíduos e grupos. Eles ainda garantiriam certas formas de memória e consciência, de forma que sua perda ou ausência privaria as pessoas de sentido à existência social ou individual. Como isso não é possível, eles não estariam desaparecendo, mas ressurgindo modificados, caracterizando-se, então, como contemporâneos!

Não foi exatamente o que eu disse? :D

Então, que a passagem de ano tenha sido mesmo aquele velho ritual que nós sempre fazemos e repetimos e ganhamos com isso a certeza de fazermos parte de uma sociedade, com sua cultura e forma. Aos que conseguem cumprir as promessas de fim de ano (eu! Eu! Eu!), que não sejam tão chatos e estraga prazeres! :P E viva 2009! É pic, é pic, é pic! É rá, Tim, bum... 2009! 2009! Ipi! Ipi! Urra!

Escrito por Sulamita Saad às 11h53
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17/12/2008


A NUDEZ NÃO MAIS CASTIGADA

Dia desses estávamos numa reunião de colegas, mesa de bar, restaurante, essas coisas. Texas alguma coisa. Serviço ruim. Comida Boa. Perto de Casa. Mas não vim falar disso, não.

É que tantas horas da noite, a mocinha quase a minha frente conta, frenética, uma experiência libertadora: havia acabado de começar a morar só. Até então, morava apenas com o pai. E fora o primeiro banho na casa sua, só sua, e sem a presença de ninguém. O banho foi normal. Sua libertação veio mais tarde. Ao final, enrolara-se na toalha e ia saindo do banheiro quando pensou: "peraí, estou sozinha em casa, na minha casa! Por que estou usando toalha?" Então, ela, no gesto libertador de seu ser, tirou a toalha, balançou-a em frente ao espelho, braços para cima e com a boca escancarada gritou: "nunca mais!" e saiu livre, leve e solta, sem lenço e sem documento até o seu quarto onde se trocou.

As pessoas então começaram a perguntar:
_ Mas e antes?
_ Ah, antes eu morava com o meu pai, sempre havia alguém em casa e eu tinha de sair de roupa ou enrolada na toalha.
_ Mas e as janelas?
_ Ah, dane-se. Estou na MINHA casa!

E essa história foi-nos contada, em toda a empolgação, ainda umas três vezes. Sempre que mais alguém voltava-se para ela, aproximava-se da mesa ou apenas falava "hein?". E a cada vez, o gesto de balançar os braços, segurando a toalha, escancarando a boca e frisando os olhos era reforçado, numa graça de quem realmente estava muito feliz com tudo isso.

Eu tive dois bons motivos para ficar alegre nessa história. Primeiro, a moça estava na fase de ganhar independência. Quase trinta anos. Vivendo sozinha pela primeira vez. É bom ver as pessoas "se dando bem". E, além disso, porque foi uma coisa meio libertadora, mesmo, tão entusiasta estava a moça.

Mas desde então, desde que ouvi a história da boca da própria contante, fiquei muito intrigada com algumas coisas e até achando graça. São aquelas idiossincrasias da nossa vida, da nossa sociedade... Resumindo, na cabeça da moça (e sei lá mais de quem), a nudez deve ser preservada dos mais próximos, mas pouco importa o que os demais, desconhecidos, possam fazer com ela, desde que seja apresentada dentro do nosso território. Onde, claro, de novo, ela não será apresentada quando houver o mais próximo, o familiar...

Confuso?

Eu explico: eu achei engraçado que ela se protegesse, protegesse a nudez dela, de mulher de trinta anos, do pai, por exemplo, com quem morava e morou por tantos anos, que foi quem cuidou dela quando criança, e que já deve tê-la visto nua diversas vezes, mas pouco se preocupasse com estranhos, com seus vizinhos e etc e tal, que poderiam vê-la estando as janelas ainda sem cortinas ou abertas e que poderiam saber que mora sozinha... E também achei engraçado lembrar que uma das idéias de liberdade era justamente o poder de andar pela casa, pelo seu território, nu ou evacuar, urinar, fazer cocô ou xixi de portas abertas. E achei engraçado que o argumento de tudo isso era simplesmente: estava na minha casa!

Acho que, sob esses argumentos, não sou nem um pouco livre... hehehehe... Mas então, quando é que eu posso ser?

ATUALIZAÇÃO DE LEITURA
Mês que passou foi bem frutífero em leituras. Li, ao longo do tempo:
Além do Princípio do Prazer - Freud;
Como preparar coquetéis - sei lá;
O Casamento - Nelson Rodrigues;
Grandes Clássicos DC 09 - Allan Moore;
Lost Girls - vol. III - Allan Moore (a merecer um post especial);
O Recurso - Grisham (ainda não concluído).

 

Escrito por Sulamita Saad às 15h22
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15/12/2008


RECEITA (INFALÍVEL!) PARA SE MANTER UM RELACIONAMENTO

As pessoas podem muito dizer: meia dose de carinho, uma pitada de respeito e muita, muita paciência, mas eu vou dizer uma coisa, com base nos últimos 4 relacionamentos desfeitos, para minha surpresa e descontentamento, a receita é a seguinte:

1. a mulher tem de ser bem sucedida financeiramente: nada de viver às custas do marido, nada de abandonar vida por causa do marido. O negócio é se dar bem, depois o marido vem...
2. a mulher tem de acompanhar o marido: amigos chatos, fumaça de cigarro, alcoolismo, balas, ácido, cocaína, maconha, desejo de viver uma vida calma... só se o digníssimo quiser! A mulher, mesmo, tem de acompanhar o marido por onde ele for, a menos que seja uma reuniãozinha de homens para demonstrar sua virilidade, masculinidade, tipo reunião para ver jogo de futebol, jogar videogame, rpg, pôquer ou o que for.
3. a mulher tem de ter vida própria: amizades próprias, dinheiro próprio, salário próprio, repertório próprio. Permissão para reunião das luluzinhas quando houver reunião do clube do bolinha. Como equilibrar vida própria e independente com a necessidade de ter de acompanhar o marido para onde ele for, é problema da mulher, afinal, ela já é especialista em ter de multiplicar tempo e lidar com várias tarefas, inclusive ao mesmo tempo.
4. a mulher tem de ser amiga dos amigos do marido, mesmo sabendo que eles não se consideram seus amigos, e amiga das namoradas dos amigos do marido, sabendo manter a distância exata quando os relacionamentos acabarem. É isso aí. Os amigos do marido serão sempre isso: amigos do marido, nada mais. Mesmo que a mulher deseje uma leal e legítima amizade, deles não receberá nada.
5. os dois tem de morar na mesma circunscrição judiciária: distâncias acima de 60 km são impensáveis, a menos que haja metrô na cidade ou ambos tenham carro.
6. sexo, claro. Livre, libertador, de todas as formas, sem muita frescura.

Ah, sim... O homem?

Bem...

O homem pode permanecer o adolescente que quiser. A responsabilidade pelo final do relacionamento provavelmente não será dele: ou a mulher não vai ter vida própria, ou não vai saber acompanhá-lo direito ou, ainda, o contrário, não saberá sair do pé dele. Ou terá um gênio muito difícil... Ou é travada... Ou vive muito longe... Ou...

Sei lá... Qualquer outra coisa, que eu acrescentaria aqui com todo o prazer para manter os relacionamentos felizes, satisfeitos...

Mas, se for da parte do homem, provavelmente ele não dará atenção suficiente à mulher, não saberá compreendê-la, ou se recusará a crescer, querendo viver uma vida de adolescente (urrú, sexo, drogas e rock´n roll!).

Na vida atual, em que podemos livremente nos desfazer de relacionamentos (nada contra, isso... que, ao contrário, representou a libertação da própria mulher), compreender os períodos de crise, normal em qualquer fase da vida, também é desnecessário. Se há crise, é hora de terminar. Nada de compreender que já se está terceiro, quinto, sétimo, décimo, décimo quinto, vigésimo ano de vida em comum! E que esses são períodos que marcam passagem de vida. Isso, na realidade, é crendice do povo e não existe.

Por fim, se o relacionamento acabou por questões da mulher, é porque alguma das questões acima não foi seguida corretamente. Se terminou por causa do homem é porque os dois estavam insatisfeitos no relacionamento e foi melhor assim...

Malvada, eu?

Uma pessoa que no lugar do coração possui uma pedra de carvão no lado esquerdo do peito?

Se for para ser um diamante... Por que não?

 

Escrito por Sulamita Saad às 09h49
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26/11/2008


ELEGÂNCIA ACIMA DE TUDO! ATÉ DO SALTO ALTO!

Semana passada, mais propriamente no sábado fomos a uma festinha. Balaio Café, aniversário da Kingdon, do CONIC. Festa indie. Sabe como é... Estilo, muito estilo. Óculos quadrados, armação colorida, cabelos cacheados, curtos. Bolsas estilosas. Calças Skinny, saias rodadas, vestidinhos gracinha. Músicas legais (que eles dizem que é rock, mas eu não acho, não... Afinal, eu não sou muito fã de rock, e gosto, gosto muito das músicas...) Mas o que foi aquilo, meu deus?

Podem até me dizer que esse povo gosta de se fazer “super alternativo”, não dá a mínima para seguir moda, fuma que nem caipora (arre, eu odeio isso!), toma drogas como se fosse a coisa mais legal do mundo, vive entre uma fase bipolar e outra e tudo o que é “mainstream” é o fim da picada! Mas, pô, não dava para estar na fase up da bipolaridade? Não dava para pelo menos dar a impressão que haviam tomado banho? Aquilo era uma festa! As moças, santo deus, estavam bizarras! O que era aquilo? Que falta de amor consigo próprios era aquela? Porque eu não chego nem perto duma patricinha ou no mínimo de alguém estilosa (eu sou, hum, tão sem salzinho...), mas pelo menos me respeito e respeito o outro para tomar banho, lavar o cabelo (ok, essa só de vez em quando) e escovar os dentes!

Poderiam até me dizer que o pessoal ali não estava “à caça”, porque isso é coisa de playboy. Estavam apenas para curtir o som, conversar com os amigos, aparecer e se fazer notado. De certa forma, foi uma das festas com menos pegação que eu já vi e olha que havia muitos cantos escuros... Mas eu digo uma coisa: mentira! Estavam todos olhando para os lados, avaliando-se uns aos outros. Mulheres procurando mulheres e (ou) homens. Homens procurando mulheres e (ou) homens. Pronto. E mesmo que fosse verdade, que não estavam à procura desesperada de alguém para passar a noite, quer dizer que aos nossos amigos, nada? Ou melhor, todo o pior de nós? O que havia mesmo era falta de amor por si mesmo e respeito com o próximo e nenhuma elegância. Ou seja, um horror!

E para mostrar que esse horror não tem anda a ver com indie, no dia seguinte acordamos tarde e fomos tomar café da manhã na Cacauhá, uma loja especialista em chocolates que oferece café da manhã aos domingos. Absurdo de bom!

Chegamos e havia 2 moças conversando em um cantinho. Andar de cima. Climatizado. Parede de vidro e visão tanto para a rua quanto para a quadra, em suas árvores. O jornal do dia estava disponível e, enquanto aguardávamos os comes e bebes, líamos as notícias do dia e conversávamos displicentemente sobre qualquer coisa. Conversas em tom ameno e nada de indiscrição na voz, claro.

Óbvio que, vez por outra, eu observava calmamente as duas mulheres, verificando o quão “descoladas” eram. De novo, meio indie. Não, melhor, totalmente indies. Exatamente no mesmo estilo das moças que vi na festa do dia anterior. Mas quanta diferença!! Quanta elegância, discrição, cuidado... Não estavam arrumadas, diga-se de passagem. Estavam básicas, sem frescuras, mas aparentando algo bom de se ver, uma tranqüilidade e beleza de uma vida normal, um dia de domingo ensolarado.

Mais eis que, pouco depois, um trio de mulheres apareceu. Nada de indies agora. Clássicas. Advogadas. Advogadas românticas. Quase patricinhas. Rindo. Falando alto. Falavam de uma quarta, Renata (ou qualquer outro nome comum que exista aos montes em qualquer cartório de uma budeguinha). Que saiu do escritório. De um cara horrível. De como elas eram muito legais, que haviam feito um CD “Advogadas românticas”, com suas escolhas de músicas mais bregas, de dor de cotovelo, só porque uma delas, anteriormente, havia ficado muito mal com o fim de um relacionamento. Como a escolha das músicas era apenas uma brincadeira. E como havia acabado de sair o “Advogadas românticas – volume II” e uma delas (a que saiu do escritório e, portanto, não participou da seleção) não havia gostado das escolhas.

Como eu soube de tudo isso? Não, eu não estava prestando atenção à conversa delas. Na realidade, eu nem queria ouvir tudo aquilo. Eu só queria ler com calma o meu jornal e conversar calmamente sobre coisa nenhuma. Mas elas estavam estrangulando meus tímpanos! Seu tom de voz me fazia interromper minha fala, cortava meu raciocínio e me impedia de acompanhar o que eu lia!

E então, que fica o seguinte: o mundo anda muito deselegante. E eu muito velha e chata. Mas deselegância não tem nada a ver com estilo, sexo, classe social, salto alto ou o diabo a quatro. Deselegância tem a ver com a nossa consciência do outro, da nossa adaptabilidade para a vida em sociedade. E seria importante que nós tentássemos ser um pouco mais elegantes. O mundo agradeceria. A beleza agradeceria. Nossos olhos agradeceriam. Pelo menos eu sempre diria “muito obrigada” e “por favor, continue assim!” ou “não há de que”. Tenham um bom dia!

Escrito por Sulamita Saad às 10h47
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16/11/2008


MACHISMO CAMUFLADO, DELICADEZA ÀS AVESSAS

Homens e mulheres possuem particularidades, formas de conversas, de falas, diferentes entre si, entre pessoas do sexo oposto e entre grupos mistos. Mulheres juntas têm o hábito de falar alto, rir alto, falar fino, coisas assim. Parecem quase um bando de crianças correndo e gritando e chega a dar dor de cabeça. Homens em grupos de homens tendem a falar mais palavrão, a usar palavras mais pejorativas e coisas assim. Parecem o estereótipo do caminhoneiro chucro e sem educação, de camisetas, suado, gordo, bebendo cerveja, com uma grande costela de porco do lado e cuspindo no chão, que vemos em filmes. Em grupos hetererogêneos cada um assume outras características que variam de acordo com o interesse sexual em voga, o grau de parentesco e afinidade e, claro, a educação e a cultura. Faz parte do que a sociedade tradicionalmente estabelece como parâmetros de feminino e masculino.

Apesar disso, uma coisa que me deixa extremamente irritada é justamente estar numa roda de amigos, juntamente ao sexo masculino, e perceber que claramente eles procuram evitar assuntos, temas, modos e formas de falar porque eu estou por perto. Poucas são as coisas que mais me tiram do sério do que ouvir trechos como: “que é isso, vamos respeitar a presença da moça” ou “não vamos desse assunto em honra à nossa querida amiga” ou ainda perceber trocas de vocábulo, do tipo: “você transou/fudeu/fez sexo com ela?” para “você fez amor/amorzinho com ela?”. Pior ainda é ouvir uma mulher dizendo: “acho que vocês se esqueceram que estão na minha presença”. Mais doloroso é ouvir tais comentários em meio a risinhos disfarçados...

Não, isso não é legal. Isso não é educado. Isso não é nem mesmo delicadeza, gentileza ou respeito pela presença do outro. Isso é machismo e absoluta falta de respeito. Isso é a clara declaração que os mundos são separados e que não há formas, meio, tentativas frutíferas de que haja o mínimo de intersecção entre os dois mundos, de que “você não faz parte do meu mundo”, você é o diferente aqui, deslocado. É também o paternalismo negativo, que infantiliza, que diz que não sou capaz de me defender, de selecionar, de saber o que é o mundo e que, por isso, preciso de proteção, de alguém que diga o que posso ou não suportar, eu, o sexo frágil, a mocinha. Isso é quase como ouvir a declaração de que eu seria uma “moça para casar” e, que, portanto, o prazer, o sexo, a bebida, me são proibidos, ficando a mim apenas o fardo de uma vida “honesta”, regrada, respeitosa e contida, enquanto à outra, coitada, sobram as humilhações, a sujeira, a inferioridade de ser menos. Porque aquela que não é para casar não é também àquela que “aproveita” a vida. Ambas são usadas, separadas, cortadas, negadas em sua integralidade de ser humano complexo e completo que possui todos os desejos e ambigüidades do sim e do não.

Estou falando assim quase que contendo a raiva, a vontade de declarar profundamente meu desgosto e decepção, de fazer um discurso inflamado e irritado... Não posso negar a dor... E ela me faz conter a raiva. E me faz também ter mais consciência de mim mesma... Porque nada mais estou fazendo do que sorrir diante da humilhação que senti, assim como meu sexo foi ensinado e doutrinado durante tanto tempo. Estou justamente escondendo aos outros minha revolta em nome da paz, do “deixa para lá”, exatamente como tantas vezes alguma mulher fez diante da presença desse nome tão sujo: machismo.

E então vejo que a minha raiva do outro, que não pode ser magnânimo, que é apenas mais uma vítima de uma sociedade como a nossa, que não me conhece, que não sabe o que eu respeito e como posso ser respeitada, torna-se raiva de mim mesma. Porque também sou parte disso tudo... E se o outro, talvez sem saber, tem camuflado o seu machismo em palavras que poderiam sugerir respeito à minha presença, eu inverto a idéia de delicadeza e sorrio enquanto quero matar. O problema é que eu sei disso. Eu sei quem eu sou. O que eu sinto. O que eu quero. O que eu penso. O que o outro quer dizer. O que o outro é, mesmo que não queira saber ou nem saiba. E isso me torna, então, pior do que o outro...

Sabe o que eu, então, vou fazer em relação a isso?

Não posso mudar o mundo nem o outro. Posso mudar a mim mesma, apenas. Ou pelo menos ser o que eu sou ou o que quero ser. Consciência... E esquecer essa idéia de paz e “deixa disso” quando não é para ser. Talvez nisso eu possa crescer. E talvez perdoar. Ou inflamar a guerra.

Neste exato momento, é isso mesmo o que eu quero. E agora eu vou falar!

Escrito por Sulamita Saad às 21h21
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04/11/2008


SLOW... JUST SLOW

Semana passada fui ministrar uma palestra. Estava me recuperando, ainda, de umas duas semanas de doença (gripe, infecção). Coisa séria, mas nada grave. Estava impaciente, achando que estava ali meio pró-forma, que o meio ao redor era tudo um bando de picareta tentando um lugar ao sol ou apenas mais um cabide de emprego. Para piorar, aquela sensaçãozinha de quase doente que ainda me rondava.

Dei a palestra, ouvi os tantos e etc e tal e chegou ao final. Uma senhora, que eu conhecera no dia anterior, veio falar comigo, “ah coitadinha, eu rezei tanto por você, você parecia tão preocupada! a toda hora olhava o relógio”... e etc e tal. Bem, apesar de não ser a toda a hora, olhei mesmo algumas vezes o relógio ou perguntei as horas para alguém, o que me deixou preocupada, mais uma vez... Se aquela mulher achou que eu estivesse com o ar enfadonho, apressado, de má vontade o que os demais não teriam visto? Eu realmente achei que estivesse “disfarçando” até muito bem... Só que, enquanto eu falava com ela, acabei falando umas duas vezes “tenho de ir, tenho uma reunião, está na minha hora”. Até minha sócia falou: “ah, ela vive em função do tempo...” E eu me senti a pessoa mais chata do mundo! Uma corta-prazeres!

Desde então tenho pensado nisso muito... De fato, vivo intensamente presa a horários (mesmo que nem use relógios!), ao que está indo, vindo, chegando, saindo, ao quase atraso, à correria para o próximo compromisso, o próximo encontro. Até para a ioga tenho meio de correr na hora certa, para pegar o ônibus e chegar a tempo da aula! Acordo tal hora só para me arrumar e correr para algum compromisso, a alguma hora marcada. Hoje, por exemplo, tive um compromisso às 9; depois, outro às 15; acabei não indo para a ioga de 18:00 horas. Amanhã, terei um compromisso às 11:45 e outro às 14 horas e sexta, logo na sexta, um compromisso às 14:30... E em tudo conto com o horário do almoço...

Só que isso me faz apenas passar pelas coisas, sem entender, compreender, sem refletir, achando, ao final que tudo o que me atrasa é, na realidade, um inimigo. Será que me tornei assim o Coelho Branco Maluco da Alice? Logo eu? Bem, e aí que eu tomei uma resolução de segunda-feira. Bem, não no sentido que nunca é realizado, mas porque é justamente a data em que queremos começar tudo, apesar de eu haver começado na quinta-feira passada... Slow, just slow...

Que eu tenho uma “leve” tendência para ser uma workaholic, ok. Não posso negar. Que eu faço o tipo multitarefas, está certo. Que até tenho uma leve síndrome das pernas inquietas... E que, por tudo isso, eu vivo cansada de tudo, não há como fugir...

Então que eu decidi mesmo tentar seguir ao máximo a máxima “slow, just slow”, do movimento “slow life”. Não é nada simples, não mesmo. E para alguém que aos oito anos já fazia teatro, ginástica olímpica, inglês e catecismo talvez seja até um pouquinho mais difícil... Mas, lá vou eu, tentar realizar uma pequena meta a cada dia, de fazer quase tudo mais lentamente e aproveitando cada momento:

Slow pace: valorizar o caminhar, sempre, sem correr;
Slow food: tentar preparar meus próprios alimentos, comê-los em companhia de alguém, conversando e apreciando o momento das refeições;
Slow life: viver aos poucos, sem tentar apressar as coisas, estudando aos poucos, aproveitando cada conquista e tentar viver de acordo o máximo possível com o meu ritmo natural, sem forçar.

Afinal, não sou eu que quero chegar aos sessenta, oitenta, cento e vinte anos como se tivesse apenas vivido vinte, sem ter aproveitado realmente cada momento, ou pelo menos, o máximo possível de todos eles... A questão é, não posso fazer isso sozinha...Quem me fará companhia?

Escrito por Sulamita Saad às 20h20
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30/10/2008


EU VOLTEI...

Céus, do meu último post faltavam dois meses para o meu casamento. Agora, já tenho dois meses de casada! Como é que as coisas foram? Bem, muito bem... Por incrível que pareça ou não.

A festa, enorme de grande, para 400 pessoas, com direito a espumante com morango, uísque e sei lá mais o quê até o final, como se diz na gíria do povo, “bombou”. Eu deixei de banda muita coisa e só quis pensar da seguinte forma: já que as coisas estão no que estão, o jeito é aproveitar e fingir que não é comigo! O casamento, em si, a cerimônia, foi muitíssimo comentado, afinal, não tocamos músicas padrão de casamento (alguma coisa tinha de ter a minha cara). Tocamos música de Final Fantasy (sim, o vídeo game), Loreena Mackenit (que eu adoro, né? Tango de Évora) e inclusive uma música do filme Lavoura Arcaica, além de 2 músicas de Erick Satie (que eu sempre gostei). Eu ainda queria entrar ao som da trilha sonora de Um corpo que cai, mas não me deixaram, rs, rs, rs. O noivo, por outro lado, fez muito sucesso, pois parecia o bobo mais feliz do mundo! A festa foi elogiadíssima, por todos. E eu fui a noiva mais calma e non sense de todas, conforme palavras de cerimonial e demais profissionais.

Depois disso, fomos para Alagoas – São Miguel dos Milagres. 1 semana sendo paparicados por sermos os únicos hóspedes de um hotel do roteiro charme (ou rota ecológica, como os proprietários belgas preferiam dizer). Eu fui mais ainda, claro: ao saberem que sou vegetariana, prepararam, dia após dia, uma refeição diferente, especial! Foi para conquistar! Lugar lindo, onde ainda fizemos mergulho, passeio de barco e visitas ao projeto Peixe-Boi e ainda deu tempo de visitar Maragogi e Maceió!

Depois... A dura realidade da vida... É, porque para ser sincera, as coisas continuaram do mesmo jeito: eu continuo trabalhando como antes, chegando tarde em casa, acordando cedo e cansada, mas agora... Sou eu mesma quem tem de lavar a louça ou a roupa... Bem, mentirinha, mentirinha: o noivo, atual marido, eterna companhia, tem feito dessas coisas. Ele acorda mais cedo, lava a louça, prepara o café da manhã e me acorda... Quando chegamos à noite, prepara sempre um lanche para mim e aos finais de semana cozinha (!!! céus!!! ele descobriu que gosta de cozinhar... hahaha... desde que vivemos juntos ele está sempre inventando alguma coisa na cozinha, como lasanhas, batatas suiças, sopas, macarrão, saladas...). Sem falar que vira e mexe se enfeza com a poeira do chão e vai limpar e brincar com o aspirador de pó (acho que ele adora o aparelho!), acrescentando ainda que foi ele que descobriu como usar a máquina de lavar.... Confesso que estou achando graça nisso... E nem sei quanto tempo vai durar, afinal, ele já está pedindo “louças auto-limpantes”... Mas é muito divertido! E uma graça...

Bem, o que eu tenho feito para ajudar na casa? Eu gostaria até de dizer que nada, afinal eu quero mesmo ser é anfitriã e ponto final e isso significa que minha função é apenas receber, preparar drinks, sorrir e nada mais. Mas banheiro e passar roupa ficaram a meu cargo (além de lavar a louça eventualmente e arrumar a cama) e isso demanda muito tempo!! Ah, sim... A organização das coisas também, onde cada coisa fica, pois logo no início ele vinha direto com a pergunta: “onde a gente guarda isso?” e eu inventava um lugar ou dizia para ele: “caríssimo, você agora é o chefe! Você inventa onde coloca isso!”, mas como ele me respondia “ah, não sei como fazer essas regras”, acabou ficando por minha conta, hehehe.

Quanto ao câncer... As coisas tem andado bem. Não é algo grave (apesar de ser bem sério...). Logo que soube, viajamos para São Paulo para a retirada do tumor por cirurgia. Felizmente era um câncer na tireóide e, conforme um médico amigo de minha mãe, “se fosse para escolher ter um câncer, eu escolheria o de tireóide”. Cirurgia feita, ele fez logo o tratamento com iodoterapia e já fomos para o retorno (semana passada) e as coisas estão bem. De acordo como médico, os prognósticos são muito positivos, pois ele é jovem (menos de 45 anos)...

Bem, agora que eu voltei, eu encerro essa fase de casamento. Esse negócio de ficar “noivinha” que só fala dessas coisas é definitivamente um saco. E eu espero não ficar agora centrada em um outro único tema, a vida de casada. É complicado, porque pessoas tão interessantes, especialmente mulheres, logo depois que casam ou têm um filho passam só a falar de marido ou dos próprios filhos.... Mas com tanta coisa correndo no mundo: bolsa despencando de um lado, dólar esbarrando em R$ 2,50 e a beleza de cada dia... Ah, vamos ver... Agora que eu voltei de novo, para ficar.

Escrito por Sulamita Saad às 21h21
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08/06/2008


UM OUTRO RETORNO

Nossa... Nem percebi que se passou tanto tempo do último post... Todos os dias eu escrevia alguma coisa, seja no diário no word, seja em papel, mas a correria me impedia de colocar algo aqui. Também, confesso, tenho passado por um momento meio reclusa. O que não significa que não tenho saído, apenas que, bem, sabe qd não temos vontade de conversar? Qd o silêncio parece tão doce, tão sereno, tão bom? Foi mais ou menos isso o que acontecera... Falar aqui, para mim, ainda que por meio da escrita, significa falar mesmo, gritar às vezes, mas, ainda assim, falar. E eu estou num momento de pensar, pensar, pensar, pensar.

Eu até me lembro de ter ouvido falar uma frase atribuída a Gandhi dizendo que, para ele, o silêncio era uma necessidade física e espiritual. Poucas foram as vezes em que me senti tão à vontade com uma frase, tão certa de que ela era certa, tão com vontade de dizer: "taí, isso é uma grande verdade!" ou "nossa, essa é a minha frase!", heheheh. Ainda estou assim, mas passei a semana toda pensando que deveria voltar para cá, para escrever. Agora, então, tenho mais alguns motivos para isso...

O que eu tenho feito? Ah, estudado... Estudado um tanto. Por incrível que pareça deixei um pouco meu escritório de lado. Fez parte do meu momento de reclusão... Dado aulas. Acho que esses foram quase os únicos momentos em que sai de verdade, em que falei muito. Feito as coisas do casamento. Comprei quase todo o enxoval; compramos nossa casa (ufa!); estamos vendo as coisas de reforma (será que dá tempo?) e por aí vai. Ainda não escolhi meu vestido de noiva. E fiquei por muito tempo pensando se isso não seria uma espécie de "sinal". :) Será que o fato de eu  não conseguir me decidir, não ter um vestido, de querer um vestido que não se pareça com um vestido de noiva não significa, em um aspecto inconsciente, que eu não quero me casar? Que eu não quero ser noiva? :D Bem, depois de muito pensar, percebi que, de uma forma, sim, eu tenho medo. Na realidade, não de me casar, mas do que um casamento representa: efetivamente, ser uma pessoa adulta, declarar que meus pais são velhos, que eles vão morrer, que, de alguma forma, não seremos mais uma família, que eu vou perdê-los, um dia, e que hoje eles estão passando pelo que meus avós (que já morreram) passaram. Tudo, enfim, gira em torno da efemeridade da vida, meu único medo.

Mas em relação ao meu casamento? Percebi que, na realidade, não me vejo muito como noiva simplesmente pq não me vejo sem meu noivo, simples assim. Para mim não parece fazer muito sentido uma festa ou um casamento, já que nós estamos juntos... Estranho... Para mim, foi estranho. Parece apenas que ele já é meu marido há muuuuiiiito tempo.

Bem, seja como for, apenas para ver que, um dia, uma hora, um minuto, fazem muito a diferença: essa semana eu viajei. Fui comprar parte do meu enxoval. Foram apenas 2 dias. Ao chegar, um casal de amigos havia se separado, o chefe do meu dignissímo pedira demissão, o apartamento de meus pais foi vendido e o meu consorte descobrira que está com câncer...

E agora resta respirar fundo e continuar...

Escrito por Sulamita Saad às 12h17
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25/04/2008


UM RETORNO...

Monografia entregue. Faltam nota e o diploma. O artigo foi aprovado e muito bem considerado. E a minha apresentação no Congresso foi legal. Claro, como eu não era mesmo ninguém, me deram o menor tempo e o pior horário. Depois pediram para diminuir ainda mais e tive de cortar muita coisa... Só porque sou boazinha! A sensação com que eu fiquei foi que acharam que me prestavam um “favor”. Acho até que ouvi isso de alguém...

 

No escritório as coisas estão meio paradas. Coisas que eram para ser, não foram. Minha sócia é uma enrolona e eu uma condescendente: todos os dias me arrependo de alguma coisa. Deveria ser mais forte, deveria brigar mais, deveria tomar conta de tudo sozinha, ser mais empreendedora, não deveria ter feito o que fiz! Estou meio apática por causa disso.

 

Do casamento, fechados cerimonial, igreja, local da recepção, decoração da igreja e da recepção, convites, buffet, bolos, doces, fotografia, salão de dia da noiva, iluminação e DJ. Faltam: roupas dos noivos, lembranças, filmagem, músicos da cerimônia, carro, manobristas, lua de mel. Do enxoval providenciei toalhas de mesa, jogos americanos, toalhas de banho, colheres de pau, lençóis de cama finos, além de porta-talheres, comprado em Recife e Fortaleza. Faltam os materiais do dia-a-dia, a serem comprados por aqui mesmo ou em São Paulo, além dos meus itens íntimos. O noivo que se vire com os dele...

 

Mas se antes eu estava chateada com o negócio do buffet, hoje estou chateada com um item que é muito mais essencial: a casa! Não sei mais o que faço!! Já pensei adiar o casamento por um ano, só pra resolver essa questão. Tirando o convite, o resto tudo se resolve...

 

Bem, sempre pensei que me casaria estando com a vida um tanto resolvida. Ledo engano. Mas só decidi casar porque minha eterna companhia cismou que já tinha uma casa para nós dois morarmos. Se quem casa quer casa, as duas coisas essenciais para um casamento estavam resolvidas: os noivos e a casa! Festa, comemoração, utensílios não são imprescindíveis, pois os primeiros não precisam ser feitos e os utensílios vêm com presentes e com compras, aos poucos...

 

Então, tínhamos onde morar. Mas.. sempre há um mas: o lugar é longe de onde moro; longe dos parentes, do trabalho, dos amigos. Eu, particularmente, achava que se a casa estava pronta, e era um lindo apartamento de 3 quartos, com suíte, varanda e lavanderia, eu não poderia desejar mais nada. Antes, teria de dar graças a deus! Afinal, não nasci em berço de ouro, não sou filhinha de papai e sempre tive a consciência de que eu teria de construir meu patrimônio com o meu próprio esforço! Então, ter aquele apartamento parecia um sonho! Ainda mais porque era presente!

 

Tanto pais quanto futuros sogros e amigos foram peremptoriamente contra. Deveríamos encontrar um lugar mais perto, que não pegasse tanto transito! Poderíamos aproveitar a valorização do imóvel e comprar um no plano e, desde que ficamos noivos, estamos procurando! Então, deixamos de ter casa... Mas até aí, tudo bem, havia tempo, disposição, muitas opções. Sabíamos que trocaríamos um apartamento de 80 m2 por no máximo 60m2, sem varanda, sem suíte, sem estacionamento fechado, sem elevador, mas com mercado, padaria, drogaria, restaurantes na esquina de casa, com disponibilidade de transporte público e próximo a amigos e parentes, além de ter o charme de morar no plano piloto, dentro de uma cidade-parque.

 

Mas não seriamos nós a comprar o imóvel. Os pais do meu digníssimo é que o comprariam (foram eles que compraram o outro apartamento para o noivo, claro). Começamos nós mesmos a escolher e em algum momento foi decidido que eles é que se responsabilizariam por isso e, desde então, não sei mais o que faço! Se antes nós possuíamos um lugar para morar, hoje cada vez menos eu sinto ter isso. Já vimos trucentos apartamentos, já escolhemos diversos, que poderiam ser bons, que poderiam ser adequar às nossas necessidades, que estariam dentro de um orçamento possível. Sempre há alguma coisa. Eles não gostam (eles não gostam?! São eles que vão morar???), eles gostam de um que está fora de cogitação (não consideram valor de condomínio, é longe de supermercado e padaria), de um que exige que seja completamente refeito (putz, estou há 4 meses de me casar!!), gostam e deixam o corretor esperando (para fazer doce... uma besteira!) e ele vende para  outro (claaaaaarrro!!! Se o apartamento está para vender, é para VENDER!!!). Gostam, mostram aos noivos, o lugar é aprovado e... aparecem outros compromissos que impedem a comprar

 

E nisso, estou cansada, com raiva, humilhada e de mãos atadas. Não é presente?? À cavalo dado não se olha os dentes! Eu não me vejo no direito de exigir alguma coisa. Eu poderia exigir se eu tivesse condições de fazer algo. Mas, mais uma vez, eu não posso. Eu apenas vejo os dias se passarem, as incertezas aumentarem e a minha vontade de não me casar, de não me sujeitar a voltar de uma lua de mel para a casa da minha mãe porque o apartamento não ficou pronto. Parece que para eles isso é normal. Já acontecera antes... Mas para mim... Isso é humilhante! Isso é revoltante! Isso é passar atestado de incompetência! Se eu não tinha condições de casar, que não casasse!! E eu me sinto humilhada, sim, me sinto humilhada por depender dos outros, de precisar tanto da ajuda de quem nem ao menos é meu parente (não, ainda não são, e depois serão apenas por afinidade), de não ter condições de simplesmente dizer: olha, deixa isso para lá, ok? Deixa que a gente vai resolver isso sozinho. E sair e dar entrada num financiamento... Mas eu só fico aqui, desanimada com tudo. Não tenho nem vontade de marcar para escolher o vestido, para concluir o enxoval. Para que? Isso não é importante para mim... Mas o que é..

Escrito por Sulamita Saad às 12h52
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