Sei lá, mas tenho achado a nossa vida meio besta. Eu não digo a minha, a sua ou a de qualquer outro ser humano em especial, muito menos a vida de uma pessoal, hum... mais especial, sei lá porquê. Estou falando mesmo da vida humana, em geral, absolutamente generalizante.
É que fiquei pensando em quanta gente há no mundo... Que vivemos uns 80 anos, apenas, e que, em duas gerações somos completamente esquecidos para nunca mais sermos lembrados e que, enquanto vivemos, ficamos nessa de crescer, se reproduzir, trabalhar, trabalhar, trabalhar, talvez ir a alguns churrascos e pronto. Fiquei pensando em como simplesmente acordamos de madrugada, pegamos aquele metrô lotado pela manhã, fazemos um trabalho que às vezes não tem mesmo nenhum sentido, depois vamos para casa, assistir à TV e dormir apenas para começar de novo.
E então... É só isso? Essa vida besta? Então que diferença faz um ou outro genocídio, afinal? É tão “eee-oe vida de gado, povo marcado, povo feliz”...
Fiquei pensando que passamos anos numa escola que fica ensinando trigonometria, nos preparando... Efetivamente para quê? Para batermos ponto? E que nossos pais simplesmente nos preparam para “termos independência” e nos cuidarmos sozinhos... Para quê? Para comprarmos, vendermos e necessitarmos trabalhar para pagar nossa comida.
E isso nem tem relação com o nível social, não... Estive pensando em quantas pessoas são pagas para ler documentos. Outras para escrever decretos legislativo, outras para decidir se o que outras fizeram estava certo ou errado... E o quanto essas ações, por mais que influenciem uma comunidade (e eu questiono se influenciam mesmo), não são, para quem as fazem, tão destituídas de sentido de finalidade quanto apertar um parafuso no filme Tempos Modernos.
A nossa vida é muito estranha... Há pessoas cuja única função é levar outras para outros lugares. Elas apenas fazem isso, durante 8 horas de um dia de 24 horas... É um trabalho muito útil, é verdade, mas que, se pararmos para pensar, é destituído de sentido real para que o faz. Outras pessoas são apenas preparadas para falar em nome de outras pessoas, defendendo as causas dessas pessoas, perante um terceiro que não tem nada a ver com isso. É um bom trabalho para alguns, dá muito dinheiro e prosperidade, mas... Mais uma vez, sem sentido!
Por que as pessoas simplesmente não vão para seus trabalhos?
Por que elas não dizem para o juiz o que é certo ou errado?
Por que esse juiz tem apenas a função de dizer o que é certo e errado? Por que ele não pode fazer outras coisas?
O que eu quero dizer com isso é: cadê a criatividade? Cadê o trabalho que, sim, pode dar dor de cabeça, mas é satisfatório, é o local onde o ser humano desenvolve suas potencialidades e mostra-se à sociedade e a ele mesmo como ser autônomo? Não existe... Ou existe em uma escala muito pequena que apenas confirma sua não existência.
Para quê o trabalho? Para quê toda essa complexidade de sistemas, coisas? O mundo é muito complexo, complexo demais, precisa de engrenagens demais para, na realidade, não funcionar direito. Sim, por que quem efetivamente tem se beneficiado desse sistema? O capitalismo? Os homens ricos? Podem realmente ter dinheiro, mas realmente se beneficiaram do sistema? Em quantas gerações serão esquecidos? Quanto de prazer e de desenvolvimento de potencialidades conseguiram realizar?
Eu não sei...
Só sei que tenho achado essa vida muito besta.
Besta demais.
E o ser humano nada mais do que um animal. Um animal tão racional quanto qualquer outro animal, só que com mania de complexidade que faz com que tudo fique exatamente do jeito que foi: uma vida besta, que não leva a nada, é só sofrimento e depois esquecimento, nem nada.

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