A médica então pediu para fazer um outro exame de toque. Ela fez e declarou: dilatação total! Hora de fazer força... A doula me lembrou da cadeira, para ir sentar, mas eu estava cansada. A obstetra então disse: vamos fazer agora do meu jeito para ver se dá certo e lá fui eu ficar em posição de frango assado, mas na cama mesmo. Não havia barras para me segurar, então era nas laterais da cama. Naquela hora, no entanto, eu sentia as contrações, mas não eram mais doídas e nenhuma vontade de fazer força para fazer cocô. A vontade havia passado! E o bebê ainda estava alto! Comecei a ficar com medo de que alguém sugerisse a cesárea, pois a mesma história havia se repetido com duas colegas... Ai, ai, ai Mas a médica sugeriu a ocitocina...
Não quis a ocitocina e a Clarissa então sugeriu andarmos mais e fazer alguns exercícios de agachamento. Comecei a andar, mas fiquei muito incomodada com o tanto de gente por lá: era eu, doula, marido, obstetra e pediatra! Pedi para saírem e ficamos eu e doula apenas no quarto, eu andando agachada e ela me puxando. Mais exercícios na barra... As contrações vinham e eu fazia força, mas elas eram irregulares... às vezes vinham tão fracas que era a Clarissa que me informava delas. Ela media pelo celular o tempo e a certa altura informou que a intensidade era boa, mas estavam muito irregulares.
Estava no vaso, sentada, descansando quando perguntei a ela o que achava da ocitocina. Ela, então, disse que seria uma boa ideia, pois ela iria apenas regularizar as contrações e como normalmente também teria glicose eu me sentiria mais animada para continuar. Eu aceitei então, mas pedi que fosse na mínima quantidade possível. Perguntei se eu já havia escapado da cesárea e ela disse que sim, que estava tudo indo muito bem e eu estava ótima. Perguntei se não poderiam disponibilizar anestesia, pois tinha receio de que a ocitocina deixasse as contrações também muito fortes e àquela altura eu não aguentaria contrações mais fortes. Ela falou: “anestesia para quê?! Você não vai precisar disso não! Todas nós falamos isso em algum momento e é sinal que está terminando! Daqui a alguns minutos seu bebê estará com você!”
Ela ligou para a médica e logo apareceram com o tal soro. Eu fui me deitar na cama. Subi de quatro e a médica até sugeriu que aquela seria uma ótima posição para parir (“pena que muitas mulheres não gostam dela!”), mas eu não aguentava mais suportar o peso do meu corpo... Sentei na cama, na posição tradicional mesmo e aplicaram o soro... Mas parece que ele não fez efeito!!
As contrações vinham ainda às vezes fortes, às vezes fracas, às vezes eram elas que me avisavam! A médica dizia que o bebê vinha e voltava... Clarissa começou a fazer leves massagens na minha barriga, dando batidinhas com os dedos. De repente ela disse que o útero estava respondendo bem a essas massagens. Então a pediatra também passou a ajudar...
De repente a médica disse: “É por isso que se faz episio... Querida, vou ter de fazer um corte.” Eu fiquei desesperada! Como? Por quê? Ela disse que estava tudo muito inchado, que todo o sangue que eu via não era do parto e sim do períneo, já machucado e que se não fizesse eu ficaria toda rasgada! A Clarissa olhou e disse que sim, que ela também teve de fazer...
O corte foi feito. Não sem antes eu esperar alguns minutos pelo material... Engraçado que enquanto esperava as contrações até aconteciam, mas eu não sentia nada, apenas o enrijecimento da barriga! Logo a médica falou que o nenem estava quase lá, que estava na hora de fazer força. Fiz isso mais umas três vezes, em uma o neném coroou, na segunda saiu a cabeça ou parte do corpo e já aí todos gritavam no quarto dizendo: isso! Já nasceu! Só mais um pouco! Mais uma! Vai! E então numa nova contração o bebê saiu, sendo imediatamente jogado sobre mim! Pronto: eu já era mãe.

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