E O TEMA É: CINEMA!

Semana atribulada: 03 tragédias, 02 velórios, lembranças tristes e poucas lágrimas, mas o que deve permanecer são mesmo as boas lembranças boas, que aplainaram as dores da alma:

 

Tarde no hotel: dica para presente de aniversário inesquecível – tranque-se com a companhia ideal em um quarto de hotel por hum... 08 horas (deveriam ser mais, mas... o dever chama e os compromissos urgem!)... Almoce, jante, lanche e tome banho. Ah, e não se esqueça do boá!! Foi o meu melhor presente de aniversário em 25 anos!!! Hehehe... Quase perfeito...

 

Chá de panela: quando for fazer, não se importe com o ridículo... aproveite!! Poucas coisas são mais divertidas do que um bom chá de panela, com direito a fotos de rapazes, brincadeiras com leite condensado, balões e... NENHUM RAPAZ (leia-se consorte ou noivo, hehehe!)

 

Casamento: jamé, jamé, jamé se atrase por mais de 15 min. se for a noiva (isso é imperdoável, imperdoável!). E sempre, sempre, sempre seja pontual se for o noivo. Atrasos de quase 02 horas deixam até o mais lindo dos casamentos com cara de “que saco!” E se estiver muito apaixonado: cante para o seu amor... Não vai haver coisa mais ridícula... Mas e daí?! Nem mais romântica e tocante! Ah, sim... E o bufê, pode, sim, ser perfeito! Mas eu ia falar de cinema:

 

Os incríveis: leve, engraçado, divertido. Eu não o consideraria um dos 10 melhores do ano, como anunciou a BBC, mas não se pode negar: é tão divertido que ninguém precisa falar “vim trazer meus sobrinhos para assistir”. Pode ir sozinho, sem medo de errar, porque a diversão é certa. Sobre quando não se tem nada a dizer: cine brasileiro, curta, sublime. Sinopse: “vendedor de canetas encontra mulher misteriosa em bar da cidade”. Integrante do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (e eu nem fiz um post sobre isso!) é um amador em seu melhor significado. Destaque para os sons da tesoura cortando, das canetas sendo testadas, das palavras sendo escritas e a última música, nonsense, mas perfeitamente encaixada no movimento indolente do corpo da atriz. E por falar na atriz: que mulher!! Daquelas belezas que tanto podem hipnotizar como passar despercebidas por entre estranhos na cidade, mas quando hipnotiza... E na cena em que ela deixa a nuca à mostra, desejável?! Id: mais um curta, amador, brasileiro. Em um quase vermelho e negro, de sons incômodos, pode ser resumido como perturbador, psicótico, incômodo e belo, enfim, quase um texto de Clarice Linspector, em que o Id, o Ego e o Super-ego, por fim, não se transformam no indivíduo castrado e socialmente aceito, mas permanecem únicos e perturbadores de nossas mentes comuns. Os sonhadores: um bom filme, para uma bonita tarde chuvosa, em um final de dia. Disse a crítica que seria um dos mais polêmicos do autor, depois de “O ultimo tango em Paris” e que teria causado frisson. Bobagem, ou a Europa está pudica demais. Há, sim, um quase triângulo amoroso, uma relação incestuosa não consumada e em eterna tensão, além de uma não homossexualidade composta de 2 ideologias, 2 belezas antagônicas, 2 opostos complementares (ou alguém acha que o fato de um ser loiro e o outro moreno; um ser paz e amor e o outro revolucionário e etc são puras coincidências?!). No final das contas, os irmãos são apenas 01, dois lados de uma mesma moeda, a mesma pessoa, cúmplices, siameses (muito mais que gêmeos). O norte-americano é o vértice complementar, antagônico e, portanto, descartável. E os famosos conflitos de maio de 68 são apenas justificativa e pano de fundo para um encontro, uma aventura e, por fim, o desencontro... Afinal, o que fazer quando não há nada mais para se fazer e lá fora há quase uma guerra?! Bridget Jones: esqueça... E as músicas selecionadas: muito divertidas em uma festa trash, mas nada a ver com um filme de 2004. É melhor ler o livro, e só. Festival Petrobrás de Curtas: foram 04, o primeiro, um saco; o segundo, bom; o terceiro, diferente; e o quarto: nossa! Super! Muito legal, mesmo! Um filme com bonecos de massinha, fazendo paródias e citando obras clássicas do cinema e da TV. Acho que o nome é: “A moça da tela”. Vale a pena ver... São 13 minutos nunca perdidos, e muito bem aproveitados.

 

Clichês: para um filme ser considerado “cabeça” parece que basta ter uma cena, de preferência no final, em que 03 cabeças ficam juntas: há uma vintena de filmes com essa cena.  Se a pessoa do meio virar o rosto, piscar ou chorar, então, é o supra-sumo da arte! Outro clichê, mas cult e engraçado, é a pessoa correndo, em câmera lenta, com balões, coloridos o não, e depois ser seguido por cachorros, gatos, crianças... Melhor ainda se o gato miar. Mas clichê maior é o eterno: “eu te amo”, e poucos acham ruim ou deixam de ver filme, novela ou sitcom porque essa frase aparece no meio de outras nem tão comuns. Isso porque quando é bem feito, clichê é mesmo o máximo, afinal, quem não se tocou com o “eu te amo” de algum canastrão ou sem vergonha para logo em seguida lembrar que ele disse: “é tudo mentirinha, mas é uma gracinha...” e, apesar de tudo, esperar ansiosamente pela próxima enganação... 

 

E UMA última e PEQUENA MENSAGEM: VAI PARA O INFERNO... era isso o que eu queria dizer, obrigada...



Escrito por Sulamita Saad às 21h47
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ANTÔNIO...

29.12.1998, a última noite. Quantos dos sonhos, sentimentos e sensações daquela noite aconteceram? Que diríamos a nós mesmos se soubéssemos o que viria pela frente? O que teria mudado se, naquela noite, eu tivesse ouvido minha mãe e ficado em casa, aproveitando com a família a última noite? O que seria se não tivesse acontecido tudo o que aconteceu?

 

O show já havia acabado e estávamos ali apenas conversando e aproveitando o momento, a despedida e as opções feitas na vida. De repente, um barulhinho, quase um miado de gato, quase um nada. Alguém chorava baixinho...

 

Aproximamo-nos devagar. Sentei ao lado dele, na arquibancada de cimento. Perguntamos o que era, o que havia, por que ele chorava... Era um menino, apenas. Devia ter entre 9 e 12 anos. Ali, quase início de madrugada, ele vendia amendoins. E então havia perdido tudo, todo o dinheiro da noite, tudo o que havia conseguido, perdido, assim, em segundos...

 

Mas o choro não era por causa do roubo, apenas. Era de medo: ele sabia que iria apanhar do padrasto quando chegasse em casa e chegasse de mãos vazias. E ao pensar assim chorava mais, soluçava mais e se tornava inaudível.

 

Havia apenas 02 guardas no local. Eles não sabiam de nada. Não haviam visto nada. Não havia mais ninguém ali, apenas nós. Eu passava as mãos nos cabelos, nos braços dele, puxava-o para meu colo, quase chorando também, mas com a mente apenas trabalhando. Tentávamos dizer que não se preocupasse, que as coisas iam dar certo, que não adiantava ele sofrer tanto por antecipação, que o padrasto entenderia... Ele apenas chorava...

 

Dei todo o dinheiro que eu tinha, mas não era suficiente. Pensei em pedir dinheiro para as pessoas, mas não havia mais ninguém, somente nós. E os amendoins? Como prestar contas dos que foram vendidos?

 

Nada mais pudemos fazer, a não ser ficar ali, um pouco, ao lado, passeando os dedos pelos cabelos, colocando a cabeça na saia preta e falando e ouvindo. Nada podíamos fazer, pelo menos era o que parecia, a não ser ir embora e deixa-lo ali, um menino de 09 ou 12 anos, sozinho, quase de madrugada, longe de casa... Nem levá-lo em casa poderíamos, pois andávamos apenas de ônibus...

 

Não sei nem o que aconteceu depois. Nem sei se o nome dele era mesmo Antônio. É o nome que me vem à cabeça quando me lembro. Não sei bem porquê, não imagino o que possa ter acontecido, e não fizemos quase nada, impotentes de tudo. Será que ele voltou para casa? Será que ele fugiu? Será que passou a noite na rua? Será que apanhou? Será que ainda vive, perdido pelos caminhos de uma grande cidade?... Perguntas de respostas absolutas e incertas, que, hoje, voltaram a me perturbar a consciência tranqüila... E isso depois de tanto tempo, de tanta coisa, de tantas palavras depois...

Escrito por Sulamita Saad às 07h03
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QUERIDO PAPAI NOEL...

Olha, eu sei que fazem muitos anos que eu não ou mínima para você e nem notícias. Também sei que agora é meio cara de pau chegar e ir pedindo coisas com a maior intimidade, coisas de quem vive acreditando em você, mas é que... Pô, não dá mais para acreditar em você depois das ultimas mentiras, não é mesmo? E nem vem me dizer que é intriga da oposição que eu o conheci muito bem para saber que as coisas não são tão falsas assim.

 

Ah, sei lá... O que eu acho é que está na hora de pedir alguma coisa... Eu tenho sido boazinha demais desde o ultimo pedido, lembra?

 

Portanto, nem vem dizer que eu sou malvada. Eu já ouvi isso demais este ano e nem sei bem porquê: eu fui muito boazinha, sim! Olha só: eu não comi quase nenhum bichinho, não bebi e só fiquei bêbada de... bem, você pode imaginar... Estudei tudo quase direitinho e só faltei quando havia coisa melhor para fazer. Também só enrolei no trabalho quando havia coisas mais importantes com que me preocupar, tipo um encontro com a eterna companhia ou mesmo escrever no post... Comi todos os meus legumes, só fumei passivamente, quase não xinguei ninguém, e só me vinguei quando era algo muito, mas muito bom! Ai, ai... Você bem sabe, né? Também fui sincera quase o tempo todo e menti apenas por um objetivo maior como, por exemplo, deixar alguém um tanto desconcertado ou encabulado ou para me safar de algum problema. Posso dizer ainda que só desejei mal às pessoas más, mas muito más, como aquelas que me fecharam no trânsito... Assim, não dá para dizer que eu sou má, não é mesmo? Eu sou um anjo! Além do mais, casta e pura e você bem sabe do que eu estou falando...

 

Portanto, acho que mereço aquele transmutador personalizado digital que pode me levar para Paris ou Santiago com um simples “olá!”. E eu disse digital: nem venha com o modelo mais antigo, à manivela, que já está fora de moda. Além do mais, com ele eu vivo esquecendo onde eu estou com a cabeça...

 

È isso, papi. Espero ansiosamente meu presente e, se não vier, pode ter certeza que vamos ter uma conversinha. E desta vez não será por carta não, viu? Ou você não se lembra da nossa última vez e aquele túnel cheio de luz?

 

Beijos,



Escrito por Sulamita Saad às 06h36
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