AMÁLGAMA
Não... Eu não estou bem. Estou cansada. E então ouço a pergunta: “cansada de quê? Você não fez nada!” e me calo. Para quê falar? Mas estou tão cansada. Acho que precisava de alguém ao meu lado, que adivinhasse os pensamentos, que imaginasse tudo a um simples olhar. Ou então que não fosse tão difícil falar porque, como certo dia alguém me falou, “não é fácil falar de girassóis na lapela”. Mas eu simplesmente fico assim, sem saber o que fazer, sem saber como reagir, sem saber que decisão tomar, se lutar ou abandonar, se apostar em algo que vai dar com os burros n´água mesmo ou finalizar algo assim. Eu lutaria e muito, mas mesmo eu, não sei se vale a pena. Eu abandonaria tudo com um piscar de olhos, ainda é muito fácil, mas também não sei se isso seria certo. Como conciliar os opostos? Eu não sei... Não sei... Realmente não sei. Eu me parecia mais simples antes. Acho que as coisas eram mais fáceis, ou será minha visão deturpada pelo que já foi? Sobra-me mais uma noite de insônia, a terceira, e se aproximam os meus 03 dias de luto, mais uma vez. Céus, sinto que não estou ainda preparada para reviver isso... Como eu queria não estar ainda tão fraca... Poderia dizer, como já disse antes, “ok, vou me dar mal, eu sei. Mas e daí? Até lá, vão haver muitas coisas boas e eu quero é aproveitar” ou então “eu sei que vai dar errado, mas eu quero pagar para ver” ou mesmo “cale a boca, você não sabe o que está dizendo e por favor, não se intrometa!”. Contudo eu apenas me calo, agora. Eu não estou bem. Eu queria apenas poder fugir.
CRASH
E para não dizer que não falei das flores: mais uma para a minha nobre bibliografia automobilística:
_... Depois, vire à esquerda...
_ Claro. Já conheço esse caminho. Já sei onde estou.
_ Desculpe.
_ ...
_ Para onde você está indo? O caminho era para lá...
_ Eu sei, mas eu deixei meu carro estacionado na quadra...
_ Hã... Mas nós estamos no seu carro!
_ Ai, é verdade! Hahahahaha!!! E quem está dirigindo sou eu! Hahahahah!
Ok, ok... Não foi bem assim... Foi muito pior.
Escrito por Sulamita Saad às 19h25
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O RETORNO DE JEDI
1,2,3... testando... alô, alô... 1,2,3... É, parece que voltamos a funcionar. A história foi mais ou menos assim: 1 semana de recesso, 1 semana estranha e uns dias sem Internet. Conclusão: nada de blog.
Tudo começou com 04 horas de avião e mais 05 de carro, no dia 24, para enfim chegarmos à festa da cidade: banda de forró e primas tramando os arranjos sentimentais da noite. Abertura oficial do bloco das solteiras e muita dança no meio da praça. Dia 25 foi 1 hora e meia de estrada de terra, poeira e costela de vaca em um quase rali sertão para, enfim, aproveitar o grande dia: o casamento da minha prima! Casamento na roça, uma correria só, uma confusão infernal e muita, mas muita tia dando chilique. Mas, enfim, a fazenda esteve linda: cercas pintadas, pedras brancas indicando o caminho, canteiros floridos, casa reformada e a serra, esplendorosa. Além disso, também muita comida (minha avó matou meu boi preferido! Mais 03 carneiros e muitos perus e porcos, sem falar nas saladas, no feijão tropeiro e etc.), muita bebida (sobraram tantas batidas feitas pela minha tia! Deu até pena!) e gente saindo pelo ladrão (só de ônibus foram 03, sem falar nos que foram de carro, nos que já estavam na fazenda, de férias, e nos que vieram em uma das várias viagens das motos e dos caminhões). E eu me esbaldei nos doces caseiros: abóbora, mamão, fios de ovos, leite, alfinim, batida... O arrasta pé foi até altas horas de forró, brega, toada e tudo o mais. Os últimos saíram às 4:30 da manhã, sem falar nos que ficaram para o bota-fora da segunda-feira: alguém tinha de, pelo menos, diminuir a comida e a bebida do armazém!!
E depois... Ver os 12 porquinhos e um bezerro nascerem, apreciar os patos e gansos irem em fila para o barreiro tomar banho em família; procurar ninhos de pássaros; azucrinar os coelhos; correr atrás do pavão que corria atrás do pato (acho que ele sentia falta da pavoa, falecida); ouvir os guinés cantando “to fraco, to fraco, to fraco” deitada no balanço da rede; chupar fruta do pé e ouvir o asno zurrar às 11 horas (relógio de pobre, como diz minha mãe). Para quem queria aventura, também teve: trilha sem trilha e escalada na serra (998 m, de pedra). Fiquei na varanda, balançando de rede. Minha irmã até hoje contabiliza os arranhões e perfurações de espinhos... E eu terminei de ler “Anjos e Demônios”, do mesmo autor de “Código da Vinci”, visitei 03 benzedores da região e mais um bando de gente, a mesma de sempre. Devia ter levado outros livros...
Dia 31, por fim, ilha de Itamaracá / PE. Forró e brega até as 23 horas e banho de mar, quente e sem ondas, na virada.
E então... O retorno, a descoberta das baratas, a carência afetiva da minha gata, a beleza do reencontro, as surpresas trabalhistas e as perspectivas esperadas. Sem falar é, claro, da cálida felicidade de se festejar mais um aniversário, igual aos 3 ou 4 anteriores, mas muito, muito diferente. Enfim, algo um tanto promissor!
Escrito por Sulamita Saad às 19h30
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