PERÍODO DE RECLUSÃO?!SEI...
Se isso é reclusão, vou ser carmelita! O feriado foi longo, com direito a forró, cinema, festa, brincadeiras à parte e azia, sem esquecer a seção escrava Isaura e gata borralheira, claro, só para variar um pouco, afinal, foram passadas as roupas de 03 semanas!
Como extra, seção bordado: minha irmã vai dançar dia 15.07 e adivinha a quem ela pediu para reformar a roupa de dança?! Aliás, reformar, não: refazer mesmo, retirando todas as miçangas da roupa antiga e bordando com desenho novo na futura! Enfim, um luxo só para quem tem uma bordadeira profissional... Se cobrasse, 200 contos, no mínimo! Ai meus dedinhos, furados e queimados pelo amor ao bordado.
Em doces maiores detalhes: 4ª feira, no forró, meu primeiro par saiu-se com essa: espacate, rodopios e me pegar no colo só para me jogar para o alto. Mais ri que dancei.
Cinema foi Star Wars, episódio 134, logo depois da pizza e da boa companhia em risos. Bom filme, mas sensações confusas existenciais inundando não a tela. Resultado: ressaca moral no sábado, nem sei bem porquê!
No sábado mesmo teve festa! Não foi em nenhum apê, mas lá no cafundó onde Judas perdeu as botas. Nada a ver, mas divertidíssima! E eu meio que surtando: dançando, rindo, pulando, comendo jujubas e bebendo água e eis que me viro e falo: ah, to indo embora, tchau! E fui! Mas não é que depois de uns kms não penso cá com meus botões: “ueh, pq eu fui embora?! Ainda é tão cedo!!!”. Acabei não voltando. E o resultado: uma ressaca moral da ressaca moral no sábado, bem no domingão... Vá entender!
E quem disse que há o que entender? Depois dos meus sonhos de fim de semana... nem pensar.
E o domingo foi assim: bordado, passar roupa, arrumar a casa, bordado. E aí fui me dando conta de que o dia passava e eu continuava na mesma posição do início do dia – sentada com as pernas em posição de semi-lotus, no sofá. E eis que um desespero claustrofóbico se apoderou de meu pequeno ser. Não sei bem o que houve: não sei se foram os não desvios de sexta, a não realização das vontades no sábado ou os sonhos da manhã de domingo. Sei lá. Só sei que, de repente, a casa era pequena demais, escura demais, quente demais, horrível demais para ser suportada por mais alguns míseros momentos de vida. E o domingo estava acabando!
E então que simplesmente peguei o carro, meus materiais de bordados e fui para o parque da cidade, para baixo de uma arvore alta, grossa, e sem muito mais a dizer, bordava e olhava o resto de dia que se partia.
Terminei a noite na confeitaria suíça. Mas não sem antes conhecer o baixo mundo de corredores escuros e pessoas estranhas que, como eu, não usavam biquíni de oncinha, mas que ora ou outra recebem a visita de policiais ou da vigilância sanitária, o que vier primeiro. Depois foi só aguardar o sonho asiático.
Escrito por Sulamita Saad às 21h59
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