O CACHECOL VERMELHO

Ela passeava assim, tão displicentemente abandonada em seus pensamentos, tão sorriso em meia lua, parecendo não ter nem quê nem para quê. Não havia ninguém, pelo menos, mas uma multidão inteira passava.

 

Salto alto, boca carmim, chapéu, roupa preta, sorriso nos lábios, cheiro de pele e o cachecol vermelho. Simplesmente sem palavras, apenas olhar e silêncio, caminhando em 8, quase a voar. Eu a via; ele não.

 

Não... Ele não viu o cachecol vermelho prendendo em sua mão, nem as unhas dela passeando por seu braço, nem o olhar dela sorrindo peralta. Também não viu o pensamento dela, nem o hálito molhado, nem os cílios dançando, escondendo a aliança prateada.

 

Ele nada viu. Apenas ficou ali, esquecido, no vazio, na superfície de lago, no azul molhado...

 

Enquanto ela...

 

Ela caminhava assim, displicentemente abandonada, em pensamentos, sorriso meia lua, salto alto e carmim, sem o cachecol vermelho.

 

Porque esse... bem, esse ela esqueceu bem, ali... Naquele beijo perdido que ninguém mais viu.



Escrito por Sulamita Saad às 22h15
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PARA MINHA ANALISTA2...

Estávamos todos em uma casa de praia. Eu tinha de fazer uma prova, mas ainda era cedo. Eu e meu namorado passeávamos de carro com uma criança no banco de trás. Passeamos muito e falamos muito, mas, sobre esta parte do sonho eu não me lembro tanto. Voltamos à casa de praia para tomarmos café e eu poder ir fazer uma prova. Fomos no meu carro, mas ele não acelerava, andava bem devagar e meu namorado ficava dizendo que eu iria chegar atrasada, que era melhor irmos no carro dele, que não haveria nenhum problema que ele me levaria, essas coisas e tal. Eu fiquei muito nervosa e acabei concordando em irmos no carro dele.

 

O problema é que o carro é uma caminhonete, com apenas 02 lugares e nós tínhamos de levar aquela criança (sei lá porque). Não poderíamos deixar que ela fosse sozinha na caçamba porque seria, obviamente, muito perigoso. Então decidi que a levaria no meu colo, qualquer coisa ela se esconderia no espaço à frente, nos pés (???).

 

Entramos todos no carro, mas minha digníssima companhia não saia do lugar. Ele simplesmente ficava rindo e conversando e eu falando diversas vezes: “por favor, vamos embora, vou chegar atrasada! Tenho de fazer uma prova”. A prova era às 8 horas e já eram 8:01 quando ele decidiu sair.

 

Chegamos ao estacionamento e o porteiro estava fechando o portão. Saí correndo, e consegui entrar na escola, para fazer a prova. Chegando ao andar da sala de aula, descobri que a prova não havia ainda começado. Muitos estavam atrasados também e havia um exame para ser feito. Fiquei na fila. Uma enfermeira sargentão aplicava uma agulha no olho e depois um aparelho na cabeça para medir o cérebro. Quando tudo terminou e eu finalmente pude entrar na sala para a prova, lembrei-me que não havia ido ao banheiro ainda e que antes de fazer uma prova eu sempre vou ao banheiro, para não precisar me levantar durante o tempo de prova. Não estava mais preocupada com o atraso porque eu já estava dentro da escola.

 

Entrei por um corredor bem grande e escuro. Fiquei andando até chegar a um hall muito iluminado onde uma mulher estava sentada em frente à porta do banheiro. Perguntei se o banheiro estava funcionando e ela me disse para ir a um outro, no outro corredor, porque aquele estava interditado.

 

Entrei em um outro hall, também iluminado e vi uma porta de banheiro. Mas não sabia se era feminino ou masculino, porque haviam arranhado o adesivo. Fui entrando, simplesmente. E decidi usar aquele banheiro mesmo, fosse masculino ou feminino. Entrei numa cabine, mas ela estava toda suja de vômito. Fui a mais 02 cabines (eram 03 ao todo), mas todas estavam na mesma situação. Voltei à primeira cabine, para tentar usar, porque, àquela hora, eu já estava mesmo apertada e precisava fazer xixi e ir para a sala de aula.

 

Foi aí que eu percebi que estava descalça todo o tempo e que havia vômito também no chão do banheiro e que eu havia pisado nele. Com isso, não agüentei e comecei a vomitar também, de nojo. Acabei sujando minha roupa (era o uniforme do colégio militar). Fui até a pia, para me levar, bochechar, mas a água não entrava na minha boca. Haviam colocado um plástico nela (não me perguntem como o vômito saiu) e eu estava de aparelho, com a boca toda aberta, não conseguia sugar a água. Tirei o plástico, para lavar a boca... e aí acordei.

 

Ps: devo ter algum problema com banheiros. Porque estão, ultimamente, todos sujos, velhos e acabados? Até agora estou enjoada, com o vômito, e até já pensei em vomitar de verdade... Só de imaginar o cheiro! Engraçado que eu conseguia identificar os alimentos vomitados... havia feijão, arroz e banana, hehehe.



Escrito por Sulamita Saad às 09h41
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Para a minha analista...

Ontem eu tive um sonho. Sonhei que, de coque e vestido xadrez azul e branco, eu trabalhava numa repartição pública velha e amarelada, digitando ao computador. Na entrada havia uma confusão e fui até lá verificar. Ao chegar, uma moça e um senhor vestido de terno e chapéu coco brigavam com a recepcionista em razão de um pedido de indenização a que eles teriam direito.

 

Eu perguntei sobre o que se tratava e a moça disse que havia sabido que o Estado tinha responsabilidade objetiva em caso de dano e que ela tinha direito a uma indenização em razão de uma omissão. Eu então falei a ela:”Calma, não é bem assim...” e nos sentamos em um velho sofá comigo a explicar sobre responsabilidade objetiva e subjetiva do estado.

Enquanto conversávamos o homem sentou-se numa roda de muitos homens e começou a explicar tudo errado para os demais. Eu, contudo, permanecia dando um discurso para a moça, mas era atrapalhada com o chiclete.

 

Eu jogava o chiclete fora e ele teimava em “nascer” de novo na minha boca e ficar como uma dentadura. Eu tirava e ele retornava. A moça parecia não se importar muito com isso, mas eu ficava meio nervosa, porque algumas vezes o chiclete colava ou enrolava no dente e eu ficava falando e puxando um longo fio de chiclete. Numa dessas vezes senti que meu dente ia cair, mas permaneci explicando o que ela precisava fazer para comprovar seu direito.

 

Quando terminei de explicar tudo, a moça se levantou e se sentou com os homens, explicando o que eu havia dito. Com isso, eu fui ao banheiro do lugar verificar o meu dente, que parecia solto.

 

O banheiro era uma lástima. Era comprido, mas amontoado de carteiras escolares e mesas de escritório entulhadas e quebradas. Além disso, estava inundado, apenas com um pequeno espaço seco em frente da pia. A privada estava suja. A porta, de madeira, estragada, fofa. Olhei no espelho e, realmente, um dente estava quase solto. Mas, na verdade, não era um dente, era uma casca grande em formato de dente que protegia e envolvia o dente verdadeiro, pequeno. Eu afastava um pouco e via o outro e o chiclete. Eu tentava puxar o chiclete, mas saia um fio muito longo, que perigava soltar de vez o “dente” externo. Eu então cortei o chiclete, deixando um pedaço do lado de dentro, enquanto recolocava o dente externo. Ficava pensando que o chiclete, tampado pelo dente externo, poderia estragar e danificar o dente interno, mas conclui que, diante da situação de não poder perder, naquele momento, o dente externo, teria de fazer isso... Depois eu procuraria um dentista.



Escrito por Sulamita Saad às 09h34
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MAIS UM RETORNO. QUANTOS MAIS?

Já tem 01 mês que eu coloquei a última mensagem por aqui. Eu me pergunto como é que os dias estão passando tão depressa??? Eu escrevi diversos post no meu arquivo e nenhum está aqui! O que é que eu fiz do meu tempo?

 

Vejamos bem: eu fiquei triste, e fiquei feliz, depois fiquei triste de novo. Aí não cheguei a ficar feliz, mas meio que rapidamente me recuperei do baque. E então eu fiquei feliz de novo, simplesmente porque sou meio Polyana e tenho uma maravilhosa eterna companhia. Aí num dia assim, eu fiquei mega hiper feliz porque a minha eterna companhia, além de ser maravilhosa, é muito, mas muito boba e absoluta, e me dá mimos e carinhos, e faz coisas muito, muito adoráveis. E agora ela não é só minha eterna companhia, é meu noivorado, cumprindo prazo de carência, heheheh.

 

Mas eu sou muito boba, mesmo. E depois eu volto com algo mais.



Escrito por Sulamita Saad às 10h11
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