UM OUTRO RETORNO
Nossa... Nem percebi que se passou tanto tempo do último post... Todos os dias eu escrevia alguma coisa, seja no diário no word, seja em papel, mas a correria me impedia de colocar algo aqui. Também, confesso, tenho passado por um momento meio reclusa. O que não significa que não tenho saído, apenas que, bem, sabe qd não temos vontade de conversar? Qd o silêncio parece tão doce, tão sereno, tão bom? Foi mais ou menos isso o que acontecera... Falar aqui, para mim, ainda que por meio da escrita, significa falar mesmo, gritar às vezes, mas, ainda assim, falar. E eu estou num momento de pensar, pensar, pensar, pensar.
Eu até me lembro de ter ouvido falar uma frase atribuída a Gandhi dizendo que, para ele, o silêncio era uma necessidade física e espiritual. Poucas foram as vezes em que me senti tão à vontade com uma frase, tão certa de que ela era certa, tão com vontade de dizer: "taí, isso é uma grande verdade!" ou "nossa, essa é a minha frase!", heheheh. Ainda estou assim, mas passei a semana toda pensando que deveria voltar para cá, para escrever. Agora, então, tenho mais alguns motivos para isso...
O que eu tenho feito? Ah, estudado... Estudado um tanto. Por incrível que pareça deixei um pouco meu escritório de lado. Fez parte do meu momento de reclusão... Dado aulas. Acho que esses foram quase os únicos momentos em que sai de verdade, em que falei muito. Feito as coisas do casamento. Comprei quase todo o enxoval; compramos nossa casa (ufa!); estamos vendo as coisas de reforma (será que dá tempo?) e por aí vai. Ainda não escolhi meu vestido de noiva. E fiquei por muito tempo pensando se isso não seria uma espécie de "sinal". :) Será que o fato de eu não conseguir me decidir, não ter um vestido, de querer um vestido que não se pareça com um vestido de noiva não significa, em um aspecto inconsciente, que eu não quero me casar? Que eu não quero ser noiva? :D Bem, depois de muito pensar, percebi que, de uma forma, sim, eu tenho medo. Na realidade, não de me casar, mas do que um casamento representa: efetivamente, ser uma pessoa adulta, declarar que meus pais são velhos, que eles vão morrer, que, de alguma forma, não seremos mais uma família, que eu vou perdê-los, um dia, e que hoje eles estão passando pelo que meus avós (que já morreram) passaram. Tudo, enfim, gira em torno da efemeridade da vida, meu único medo.
Mas em relação ao meu casamento? Percebi que, na realidade, não me vejo muito como noiva simplesmente pq não me vejo sem meu noivo, simples assim. Para mim não parece fazer muito sentido uma festa ou um casamento, já que nós estamos juntos... Estranho... Para mim, foi estranho. Parece apenas que ele já é meu marido há muuuuiiiito tempo.
Bem, seja como for, apenas para ver que, um dia, uma hora, um minuto, fazem muito a diferença: essa semana eu viajei. Fui comprar parte do meu enxoval. Foram apenas 2 dias. Ao chegar, um casal de amigos havia se separado, o chefe do meu dignissímo pedira demissão, o apartamento de meus pais foi vendido e o meu consorte descobrira que está com câncer...
E agora resta respirar fundo e continuar...
Escrito por Sulamita Saad às 12h17
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|