Semana passada fui ministrar uma palestra. Estava me recuperando, ainda, de umas duas semanas de doença (gripe, infecção). Coisa séria, mas nada grave. Estava impaciente, achando que estava ali meio pró-forma, que o meio ao redor era tudo um bando de picareta tentando um lugar ao sol ou apenas mais um cabide de emprego. Para piorar, aquela sensaçãozinha de quase doente que ainda me rondava.
Dei a palestra, ouvi os tantos e etc e tal e chegou ao final. Uma senhora, que eu conhecera no dia anterior, veio falar comigo, “ah coitadinha, eu rezei tanto por você, você parecia tão preocupada! a toda hora olhava o relógio”... e etc e tal. Bem, apesar de não ser a toda a hora, olhei mesmo algumas vezes o relógio ou perguntei as horas para alguém, o que me deixou preocupada, mais uma vez... Se aquela mulher achou que eu estivesse com o ar enfadonho, apressado, de má vontade o que os demais não teriam visto? Eu realmente achei que estivesse “disfarçando” até muito bem... Só que, enquanto eu falava com ela, acabei falando umas duas vezes “tenho de ir, tenho uma reunião, está na minha hora”. Até minha sócia falou: “ah, ela vive em função do tempo...” E eu me senti a pessoa mais chata do mundo! Uma corta-prazeres!
Desde então tenho pensado nisso muito... De fato, vivo intensamente presa a horários (mesmo que nem use relógios!), ao que está indo, vindo, chegando, saindo, ao quase atraso, à correria para o próximo compromisso, o próximo encontro. Até para a ioga tenho meio de correr na hora certa, para pegar o ônibus e chegar a tempo da aula! Acordo tal hora só para me arrumar e correr para algum compromisso, a alguma hora marcada. Hoje, por exemplo, tive um compromisso às 9; depois, outro às 15; acabei não indo para a ioga de 18:00 horas. Amanhã, terei um compromisso às 11:45 e outro às 14 horas e sexta, logo na sexta, um compromisso às 14:30... E em tudo conto com o horário do almoço...
Só que isso me faz apenas passar pelas coisas, sem entender, compreender, sem refletir, achando, ao final que tudo o que me atrasa é, na realidade, um inimigo. Será que me tornei assim o Coelho Branco Maluco da Alice? Logo eu? Bem, e aí que eu tomei uma resolução de segunda-feira. Bem, não no sentido que nunca é realizado, mas porque é justamente a data em que queremos começar tudo, apesar de eu haver começado na quinta-feira passada... Slow, just slow...
Que eu tenho uma “leve” tendência para ser uma workaholic, ok. Não posso negar. Que eu faço o tipo multitarefas, está certo. Que até tenho uma leve síndrome das pernas inquietas... E que, por tudo isso, eu vivo cansada de tudo, não há como fugir...
Então que eu decidi mesmo tentar seguir ao máximo a máxima “slow, just slow”, do movimento “slow life”. Não é nada simples, não mesmo. E para alguém que aos oito anos já fazia teatro, ginástica olímpica, inglês e catecismo talvez seja até um pouquinho mais difícil... Mas, lá vou eu, tentar realizar uma pequena meta a cada dia, de fazer quase tudo mais lentamente e aproveitando cada momento:
Slow pace: valorizar o caminhar, sempre, sem correr;
Slow food: tentar preparar meus próprios alimentos, comê-los em companhia de alguém, conversando e apreciando o momento das refeições;
Slow life: viver aos poucos, sem tentar apressar as coisas, estudando aos poucos, aproveitando cada conquista e tentar viver de acordo o máximo possível com o meu ritmo natural, sem forçar.
Afinal, não sou eu que quero chegar aos sessenta, oitenta, cento e vinte anos como se tivesse apenas vivido vinte, sem ter aproveitado realmente cada momento, ou pelo menos, o máximo possível de todos eles... A questão é, não posso fazer isso sozinha...Quem me fará companhia?

Leia este blog no seu celular