Semana passada, mais propriamente no sábado fomos a uma festinha. Balaio Café, aniversário da Kingdon, do CONIC. Festa indie. Sabe como é... Estilo, muito estilo. Óculos quadrados, armação colorida, cabelos cacheados, curtos. Bolsas estilosas. Calças Skinny, saias rodadas, vestidinhos gracinha. Músicas legais (que eles dizem que é rock, mas eu não acho, não... Afinal, eu não sou muito fã de rock, e gosto, gosto muito das músicas...) Mas o que foi aquilo, meu deus?
Podem até me dizer que esse povo gosta de se fazer “super alternativo”, não dá a mínima para seguir moda, fuma que nem caipora (arre, eu odeio isso!), toma drogas como se fosse a coisa mais legal do mundo, vive entre uma fase bipolar e outra e tudo o que é “mainstream” é o fim da picada! Mas, pô, não dava para estar na fase up da bipolaridade? Não dava para pelo menos dar a impressão que haviam tomado banho? Aquilo era uma festa! As moças, santo deus, estavam bizarras! O que era aquilo? Que falta de amor consigo próprios era aquela? Porque eu não chego nem perto duma patricinha ou no mínimo de alguém estilosa (eu sou, hum, tão sem salzinho...), mas pelo menos me respeito e respeito o outro para tomar banho, lavar o cabelo (ok, essa só de vez em quando) e escovar os dentes!
Poderiam até me dizer que o pessoal ali não estava “à caça”, porque isso é coisa de playboy. Estavam apenas para curtir o som, conversar com os amigos, aparecer e se fazer notado. De certa forma, foi uma das festas com menos pegação que eu já vi e olha que havia muitos cantos escuros... Mas eu digo uma coisa: mentira! Estavam todos olhando para os lados, avaliando-se uns aos outros. Mulheres procurando mulheres e (ou) homens. Homens procurando mulheres e (ou) homens. Pronto. E mesmo que fosse verdade, que não estavam à procura desesperada de alguém para passar a noite, quer dizer que aos nossos amigos, nada? Ou melhor, todo o pior de nós? O que havia mesmo era falta de amor por si mesmo e respeito com o próximo e nenhuma elegância. Ou seja, um horror!
E para mostrar que esse horror não tem anda a ver com indie, no dia seguinte acordamos tarde e fomos tomar café da manhã na Cacauhá, uma loja especialista em chocolates que oferece café da manhã aos domingos. Absurdo de bom!
Chegamos e havia 2 moças conversando em um cantinho. Andar de cima. Climatizado. Parede de vidro e visão tanto para a rua quanto para a quadra, em suas árvores. O jornal do dia estava disponível e, enquanto aguardávamos os comes e bebes, líamos as notícias do dia e conversávamos displicentemente sobre qualquer coisa. Conversas em tom ameno e nada de indiscrição na voz, claro.
Óbvio que, vez por outra, eu observava calmamente as duas mulheres, verificando o quão “descoladas” eram. De novo, meio indie. Não, melhor, totalmente indies. Exatamente no mesmo estilo das moças que vi na festa do dia anterior. Mas quanta diferença!! Quanta elegância, discrição, cuidado... Não estavam arrumadas, diga-se de passagem. Estavam básicas, sem frescuras, mas aparentando algo bom de se ver, uma tranqüilidade e beleza de uma vida normal, um dia de domingo ensolarado.
Mais eis que, pouco depois, um trio de mulheres apareceu. Nada de indies agora. Clássicas. Advogadas. Advogadas românticas. Quase patricinhas. Rindo. Falando alto. Falavam de uma quarta, Renata (ou qualquer outro nome comum que exista aos montes em qualquer cartório de uma budeguinha). Que saiu do escritório. De um cara horrível. De como elas eram muito legais, que haviam feito um CD “Advogadas românticas”, com suas escolhas de músicas mais bregas, de dor de cotovelo, só porque uma delas, anteriormente, havia ficado muito mal com o fim de um relacionamento. Como a escolha das músicas era apenas uma brincadeira. E como havia acabado de sair o “Advogadas românticas – volume II” e uma delas (a que saiu do escritório e, portanto, não participou da seleção) não havia gostado das escolhas.
Como eu soube de tudo isso? Não, eu não estava prestando atenção à conversa delas. Na realidade, eu nem queria ouvir tudo aquilo. Eu só queria ler com calma o meu jornal e conversar calmamente sobre coisa nenhuma. Mas elas estavam estrangulando meus tímpanos! Seu tom de voz me fazia interromper minha fala, cortava meu raciocínio e me impedia de acompanhar o que eu lia!
E então, que fica o seguinte: o mundo anda muito deselegante. E eu muito velha e chata. Mas deselegância não tem nada a ver com estilo, sexo, classe social, salto alto ou o diabo a quatro. Deselegância tem a ver com a nossa consciência do outro, da nossa adaptabilidade para a vida em sociedade. E seria importante que nós tentássemos ser um pouco mais elegantes. O mundo agradeceria. A beleza agradeceria. Nossos olhos agradeceriam. Pelo menos eu sempre diria “muito obrigada” e “por favor, continue assim!” ou “não há de que”. Tenham um bom dia!

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