...Coletânea...


20/01/2009


IPI, IPI, URRA! VIVA 2009!

Pois é... E já estamos há vinte dias em um ano novo. Promessas novas ou velhas, já até tiveram tempo de ser desfeitas. Sabe aquela história? No novo ano eu vou fazer dieta, comer melhor, fazer ginástica, relaxar mais, perder tantos quilos, parar de fumar... Pois é... Já estamos na data em que nada disso se realizou, em que já fizemos a matrícula na academia e já fomos apenas duas vezes para nunca mais; já diminuímos a quantidade de cigarro, só para voltar a fumar mais do que antes, já iniciamos a dieta só para comer chocolates até não poder mais naquela feijoada do final de semana, já voltamos a almoçar sanduíche/cachorro quente com coca-cola, sem esquecer a batata frita e, claro, já deu até tempo de termos a primeira crise nervosa na volta ao trabalho...

Enfim, é a velha vida de volta, como antes, como sempre, nos campos seguros. Assim, com a vida de sempre, temos uma certeza: estamos seguros do novo, da apreensão, da agonia, do "será que vou conseguir?", do desafio e, claro, das tristezas das desilusões. Não corremos o risco de falhar, nem de sofrer o gosto da decepção, afinal, deixamos por nós mesmos as questões, os desafios. Abandonamos com consciência as "promessas do ano novo". Ou melhor, fazemos essas promessas já sabemos que fazem parte apenas de um ritual e que nem devem ser levadas em conta.

Por falar em rituais...

Antes eu achava essa vida atual, contemporânea, com pouca significação. Para mim, não tínhamos os rituais das velhas civilizações, as passagens, os ritos, nem as significações que, por exemplo, havia na passagem da vida de criança para a adulta para os povos antigos. Claro que isso representava uma análise muito superficial da minha própria sociedade, comunidade ou grupo. Pura besteira, enfim!

Afinal, o que são justamente as festas de final de ano, senão rituais, repetidos ano a ano, da mesma forma, por vários grupos de nossa sociedade? O que não são as "promessas de ano novo" senão mais um ritual com realmente uma visão, uma perspectiva e uma profunda significação de como vemos o mundo?

Diante disso, eu até acho que todos deveriam fazer mesmo as promessas... É o ritual! Sim, devemos comemorar o natal com uma festa em família, com comida farta, preferencialmente em que cada pessoa leve um prato especial e que culmine com troca de presentes ou amigo oculto / secreto /da onça e no final ainda dar beijos e abraços mesmo naqueles com quem passamos o ano todo brigando. Devemos ainda comemorar a passagem de ano com festa entre amigos, todos de branco, fogos de artifício, pulando ondas (para quem vive no litoral), fazendo promessas para o novo ano, comendo lentilhas, romãs, uvas, peru, peixe, pernil e sei lá mais o que! Afinal, é um ritual! Tanto quanto as fogueiras de Beltane, o nascimento do deus e tudo o mais...

É... Hoje eu vejo os rituais não acabaram, não. Eles apenas mudaram, assim como mudaram ao longo dos tempos passados e entre espaços e grupos, mas continuam com a importância que tiveram antes, representando a sociedade que os desenvolve e acolhe. São os nossos costumes, a nossa cultura, o nosso folclore, agora! E sabe de uma coisa? Eu achei essa descoberta mágica! Maravilhosa! Ok, tudo bem, meio maluca, também. Ou melhor, maluca é a minha forma de vê-la... Até porque deixei um pouco de ficar triste pelos rituais do passado estarem se indo embora e se perdendo no tempo.

E para não dizer que não disse tanta besteira assim, de alguma forma esse pensamento vai ao encontro do que Martine Segalen escreveu na obra Ritos e rituais contemporâneos, editora FGV, de 2002: os ritos teriam a função de oferecer apoio coletivo frente às passagens do tempo e criar senso de identidade de indivíduos e grupos. Eles ainda garantiriam certas formas de memória e consciência, de forma que sua perda ou ausência privaria as pessoas de sentido à existência social ou individual. Como isso não é possível, eles não estariam desaparecendo, mas ressurgindo modificados, caracterizando-se, então, como contemporâneos!

Não foi exatamente o que eu disse? :D

Então, que a passagem de ano tenha sido mesmo aquele velho ritual que nós sempre fazemos e repetimos e ganhamos com isso a certeza de fazermos parte de uma sociedade, com sua cultura e forma. Aos que conseguem cumprir as promessas de fim de ano (eu! Eu! Eu!), que não sejam tão chatos e estraga prazeres! :P E viva 2009! É pic, é pic, é pic! É rá, Tim, bum... 2009! 2009! Ipi! Ipi! Urra!

Escrito por Sulamita Saad às 11h53
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