...Coletânea...


05/02/2009


MODERNIDADES E COMUNICAÇÕES

 

Estamos na era do skype, dos blogs, do orkut, do h5!, do Unik, do plurk, do myspace, do Messenger, do youtube e do e-mail. Mas, semana passada, conversando com velhos amigos percebi que as cartas não morrem.

Antes de tudo, vou explicar: esses amigos não se conhecem. Um deles, que na realidade é uma, é uma amiga da terceira série! Sim, estudamos a terceira e a quarta série do ensino fundamental (então primeiro grau) juntas, em SP, antes de eu me mudar para RO. O outro amigo veio alguns anos depois, quando eu já morava em RO. A amizade nasceu do grupo de perseverança da igreja... Pois é, o tempo passou, eu me mudei para o CE e ele para o RN, mas ainda assim acompanhamos nossa vida e sempre estivemos juntos, de alguma forma. Passamos quase juntos pela fase do sexo, drogas e rock´roll e mantivemos contato. Ele foi para a minha formatura do terceiro ano e da faculdade. Eu passeei algumas vezes na casa dele.

Então, com esses amigos a amizade à distância acompanhou bem o desenvolvimento dos meios de comunicação. Amizade por via de cartas. Havia  telefone, mas antes das privatizações o negócio era muito caro! Então, uma carta por mês, para cada um. Eu ainda fazia parte de uma corrente de cartas do mundo todo. Recebia cartas da Austrália, da Àfrica do Sul e até do Brasil! Era um bom estudo de inglês... Os amigos que eu ia fazendo pelo caminho e deixando (sim, minha sina é dizer adeus aos amigos) permaneciam por meio de cartas. Até que eles deixassem de me escrever...

Com o telefone mais barato, os mais chegados, mesmo à distância, recebiam ligações. E eu as dele. Sabe o que é passar madrugadas ao telefone? Certo dia, percebi o sol nascer e só então vi que estava há cinco horas falando! Meu amigo querido gostava de me ligar aos sábados à tarde. Conversávamos muito e eu ria tanto que cheguei a ter uma câimbra! Com minha amiga, falávamos menos ao telefone, quase uma vez por mês e em ocasiões especiais. Paralelamente, as cartas continuaram, mas mais esparsas... Apenas para contar os segredos que não poderiam ser ditos ao telefone, porque, bem... Coisas de adolescentes e de pais cuidadosos, não é mesmo?

Então, veio a época bem forte do e-mail e do orkut. Não que antes não houvesse. Lembra do MIrc e do ICQ? =) Ainda me lembro do meu UIN#... Mas eu o utilizava mais para conversar com os amigos locais, do colégio, para marcar cinema, para paquerar, para conhecer rapazes, para namorar, hehehe. Com o iogurte a coisa ficou bem mais democrática. Com o Messenger, então... Não sei bem porquê...Mas parei de escrever cartas.

Mas aí, semana passada, estava conversando com esse meu amigo. E não é que ele veio me dizer que havia guardado todas as minhas cartas e que gosta de, vez por outra, lê-las? Principalmente para ficar feliz... Perguntei se ele estava triste. Ele disse que não. Mas que ficava mais feliz ao ler as cartas e que gostaria de voltar a recebê-las... Uns três ou cinco dias depois, conversava com essa amiga. Contávamos as novidades e os problemas de trabalho (ela, uma empresária agora...). Lá pelas tantas ela disse que estava se mudando e que, ao arrumar as coisas, encontrou as minhas cartas e ficou lendo e se divertindo. Disse que enquanto lia sentia saudades de tudo e que achava muito legal receber aquelas cartas, que vinham de tão longe. Pô... de RO, né? Depois do CE... E ainda teve de BSB! Sem falar nos cartões postais dos lugares que eu visitava...

Então eu decidi voltar a escrever cartas! Meio atrasado... Meio século XIX... Ainda que seja um importante meio de comunicação nos dias de hoje. Ano passado, fazendo uma pesquisa, descobri que “onde o Estado ainda não havia chegado, havia uma agência dos correios”. Mas eu concordei com os meus amigos... Apesar de parecer mais distante do que quando conversamos instantaneamente e ainda com auxílio da webcam, ao permitir o toque e o contato e ainda a releitura, a carta tem o condão de aproximar, de fazer sorrir e chorar, mesmo que tenham se passado tanto tempo!

Decidi voltar a escrevê-las não apenas por eles. Mas por mim também. Um registro de mim, além dos bits e bites, além do diário secreto. Acho até que vou iniciar um movimento para todos escreverem cartas... Não importa para quem, para onde, porque... Apenas escrever! Papel e tinta, por favor!

Escrito por Sulamita Saad às 12h05
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